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Cuauhtémoc Medina será o curador da 25ª Bienal de Arte de Paiz.

Cuauhtémoc Medina será o curador da 25ª Bienal de Arte de Paiz.
bonart guatemala - 04/09/26

A Bienal de Arte Paiz anunciou a nomeação de Cuauhtémoc Medina como curador de sua 25ª edição, uma escolha particularmente significativa para uma instituição que ocupa um lugar de destaque no cenário artístico centro-americano há quase cinco décadas. O crítico, historiador e curador mexicano será responsável por moldar o projeto de uma bienal que, desde sua transformação em 2008, consolidou um modelo baseado em pesquisa, diálogo e na relação entre a arte contemporânea e a terra.

Nascido na Cidade do México em 1965, Cuauhtémoc Medina é uma das figuras mais renomadas da crítica e curadoria de arte latino-americana. Com doutorado em História e Teoria da Arte pela Universidade de Essex e graduação em História pela Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), sua carreira abrange tanto o meio acadêmico quanto algumas das principais instituições internacionais de arte contemporânea.

Medina foi o primeiro curador associado das coleções de arte latino-americana da Tate Modern e, posteriormente, atuou como curador-chefe do Museu Universitário de Arte Contemporânea (MUAC) da UNAM. Em 2012, foi curador da Manifesta 9 e, em 2018, curador-chefe da 12ª Bienal de Xangai. Seu trabalho foi reconhecido com o Prêmio Walter Hopps de Realização Curatorial, concedido pela Coleção Menil em Houston. Desde 1993, é pesquisador do Instituto de Pesquisa Estética da UNAM.

Ao longo de sua carreira, ele desenvolveu exposições e projetos em conjunto com artistas como Francis Alÿs, Andrea Fraser, Carlos Amorales, Harun Farocki, Jill Magid, Jeremy Deller, Ai Weiwei, Beatriz González, Kader Attia, Magali Lara e Raqs Media Collective, entre muitos outros.

Sua chegada à Bienal de Arte Paiz ocorre em um momento particularmente relevante para o projeto. O próprio Medina destacou o papel que a bienal desempenha há meio século como ponto de encontro entre a arte contemporânea e o público guatemalteco, bem como sua importância no cenário artístico da América Central.

"É uma grande honra, mas também um desafio, estar encarregada da curadoria da Bienal de Arte Paiz nesta ocasião tão especial", disse Medina, que está confiante em desenvolver o projeto em conjunto com a equipe da bienal e os artistas participantes.

De uma competição nacional a uma bienal contemporânea.

A história da Bienal de Arte Paiz remonta a 1978, quando nasceu como um projeto cultural promovido pela Almacenes Paiz SA. Nas suas primeiras décadas, funcionou como um concurso aberto com o objetivo de favorecer a visibilidade e a profissionalização de artistas guatemaltecos.

Os participantes puderam submeter seus trabalhos em diversas disciplinas, incluindo pintura, escultura, desenho, gravura, porcelana e fotografia. As obras concorreram aos três primeiros prêmios em cada categoria, e os trabalhos selecionados passaram a integrar a Coleção de Arte Paiz, que atualmente conta com mais de 300 peças de artistas guatemaltecos e centro-americanos.

Desde as suas primeiras edições, a bienal contou também com a participação de júris e agentes culturais de diversos países, incluindo México, Espanha, Brasil, El Salvador, Costa Rica, Colômbia, Itália, Chile e Cuba. Essa dimensão internacional expandiu-se gradualmente até se tornar uma das características essenciais do projeto.

A grande virada ocorreu em 2008, com a celebração da 16ª edição. A bienal abandonou então o formato tradicional de competição e adotou um modelo curatorial, uma transformação que alterou profundamente sua relação com artistas, público e instituições culturais.

A partir desse momento, a Bienal de Arte Paiz passou a funcionar como uma plataforma para produção, pesquisa e pensamento contemporâneo. A mudança também permitiu a expansão de espaços dedicados a exposições e projetos artísticos, que deixaram de se limitar a museus e galerias, ocupando ruas, praças, mercados, centros comunitários e outros espaços não convencionais.

Arte para além dos museus

Essa expansão territorial tornou-se uma das características definidoras da bienal. Suas diversas edições desenvolveram projetos participativos com comunidades indígenas e coletivos artísticos, visando descentralizar a atividade cultural e estabelecer novas formas de interação entre artistas e comunidades.

Dessa forma, a bienal estendeu suas atividades a diferentes territórios da Guatemala, incluindo Antigua Guatemala, San Juan Comalapa, Atitlán e Izabal, construindo uma rede que conecta diferentes realidades sociais, culturais e geográficas do país.

Ao mesmo tempo, a Bienal de Arte Paiz desenvolveu exposições e programas educativos voltados para públicos diversos, reforçando seu papel como força motriz no ecossistema cultural guatemalteco.

Essa evolução permitiu que a instituição transcendesse suas origens como uma competição de arte para se tornar um projeto curatorial internacional, capaz de combinar produção contemporânea com pesquisa, educação e participação cidadã.

Quase cinco décadas de história

A continuidade é outro elemento fundamental da Bienal de Arte Paiz. Desde a sua criação, em 1978, ela tem sido realizada ininterruptamente, mesmo em contextos históricos particularmente complexos, como o conflito armado interno da Guatemala ou a pandemia de Covid-19.

Com quase cinquenta anos de história, a instituição se consolidou como a segunda bienal mais antiga da América e a sexta mais antiga do mundo.

A escolha de Cuauhtémoc Medina para dirigir a 25ª edição marca um novo capítulo nessa história. Sua experiência internacional, seu conhecimento da arte latino-americana e sua trajetória com grandes exposições e plataformas curatoriais apresentam à próxima edição o desafio de continuar expandindo os limites de uma bienal profundamente enraizada na Guatemala, mas cada vez mais conectada aos debates internacionais sobre arte contemporânea.

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