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Exposicions

Cristina Umaña Durán transforma a respiração em experiência artística na Arte Abierto Pedregal

Cristina Umaña Durán transforma a respiração em experiência artística na Arte Abierto Pedregal
bonart mèxic d.f. - 21/07/26

Numa época marcada pela velocidade, hiperconectividade e imediatismo, parar para respirar torna-se quase um ato de resistência. Este é o convite da artista colombiana Cristina Umaña Durán em *Los tiempos del aire* (Os Tempos do Ar) , uma instalação imersiva em exibição na Arte Abierto Pedregal até 30 de agosto de 2026. A exposição propõe uma jornada sensorial onde o ar, invisível mas essencial, revela-se como a força que anima a matéria e dá sentido à experiência do corpo.

A exposição constrói uma paisagem orgânica formada por grandes estruturas têxteis e infláveis que ocupam o espaço como se fossem organismos vivos. Essas esculturas respiram, expandem-se e contraem-se seguindo seu próprio ritmo, evocando o impulso vital. Na ausência de ar, permanecem inertes, mas quando ativadas, adquirem movimento e transformam a percepção do visitante, convertendo a sala em um palco onde a respiração marca a passagem do tempo.

Para Cristina Umaña Durán, o tempo não é uma abstração, mas uma experiência profundamente corporal. Sua pesquisa artística se desenvolve a partir de processos biológicos repetitivos e essenciais — respirar, engolir, digerir — que revelam a dimensão cíclica da existência. Nessa perspectiva, o corpo surge como um território mutável e instável, capaz de conter contradições: um espaço onde vulnerabilidade e força, controle e perda de controle, o íntimo e o estranho coexistem.

A instalação funciona como um desenho tridimensional monumental no qual as costuras das peças têxteis deixam de ser meras junções e se tornam veias, artérias e limites que percorrem cada volume. O resultado é uma geografia orgânica que parece se expandir por toda a sala seguindo uma coreografia imprevisível, um sopro plástico que transforma continuamente o espaço.

Embora o desenho e a escrita sejam o ponto de partida da prática de Umaña Durán, em *Los tiempos del aire* (Os Tempos do Ar), ambas as linguagens se expandem para a escultura e a instalação, construindo uma experiência imersiva. Mais do que contemplar uma série de obras, o visitante é convidado a habitar um ecossistema onde o ar se torna matéria visível e o tempo adquire uma dimensão física.

A proposta se completa com uma paleta de cores intensa, dominada por vermelhos, laranjas e tons de vinho, cores que evocam o interior do corpo e reforçam a sensação de estar dentro de um organismo. As mãos também aparecem nesse universo, um dos motivos recorrentes na obra do artista, entendidas como símbolos de contato, conexão e reconhecimento do outro.

Longe de oferecer respostas definitivas, "Os Tempos do Ar" abre um espaço para contemplação e escuta. A exposição resgata a respiração como um gesto essencial que geralmente passa despercebido e propõe um retorno à consciência corporal diante da aceleração contemporânea. O poder desta exposição reside neste exercício de pausa e percepção do invisível, transformando um ato cotidiano em uma profunda reflexão sobre memória, fragilidade e o tempo que compartilhamos.

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