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Últimos dias para descobrir 'E eu me torno um rio, cuja língua marrom não descansará' na La Casa Encendida

Últimos dias para descobrir 'E eu me torno um rio, cuja língua marrom não descansará' na La Casa Encendida
bonart madrid - 21/07/26

Faltam poucos dias para visitar And I become a river, whose brown tongue will not rest , uma das propostas selecionadas no âmbito do Inéditos 2026 na La Casa Encendida, um projeto com curadoria de Raquel Algaba (Madrid, 1992) que nos convida a repensar a nossa relação com o ambiente a partir de uma perspetiva em que o biológico e o tecnológico deixam de ser entendidos como realidades opostas para se revelarem como sistemas profundamente interdependentes.

A exposição reúne obras de Cecilia Fiona, Leticia Martínez Pérez, Leonor Serrano Rivas e Lola Zoido, quatro artistas cuja pesquisa converge em uma reflexão sobre ecossistemas híbridos, consciência distribuída e novas formas de percepção que emergem em um contexto marcado pela crise ecológica e pela crescente tecnologização do mundo.

Longe de apresentar a natureza como um pano de fundo passivo, a exposição a concebe como um organismo dinâmico, capaz de perceber, adaptar-se e responder às transformações do seu ambiente. Nessa perspectiva, sensores, infraestrutura, organismos vivos e processos computacionais compartilham uma rede comum de relações, desafiando a separação tradicional entre natureza e tecnologia.

A abordagem curatorial, portanto, desloca o foco da questão de como a tecnologia transforma o mundo natural para uma questão mais complexa: como a própria natureza incorpora e reinterpreta esses sistemas tecnológicos em seus processos de adaptação. Essa mudança de perspectiva também convida a uma reconsideração do conceito de consciência, entendida aqui como uma rede de respostas e relações que transcende o exclusivamente humano.

O layout da exposição transforma a galeria em uma paisagem viva. Concebida como uma estufa ampliada, cada instalação desenvolve seu próprio microclima e estabelece um ritmo particular de crescimento e transformação. Os pedestais ondulados e a disposição das peças criam um ecossistema vibrante onde variações sutis produzem novas configurações, evocando um território em constante evolução.

Nesse contexto, Cecilia Fiona imagina, por meio de instalações e pinturas, ecossistemas onde corpos, organismos e matéria estão imersos em processos contínuos de mutação. Suas obras propõem uma visão de mundo baseada na coexistência e interdependência de diferentes formas de vida.

As obras de Leticia Martínez Pérez exploram a ambiguidade entre o orgânico e o artificial através de estruturas que ativam a percepção do espectador. Suas peças transformam a natureza em um sistema de signos onde beleza, ameaça, atração e estranheza coexistem simultaneamente.

Leonor Serrano Rivas, por sua vez, desenvolve dispositivos esculturais que combinam materiais orgânicos, processos científicos e referências simbólicas para gerar sistemas em constante transformação. A matéria circula, muda e se reorganiza, diluindo as fronteiras entre o natural, o técnico e o alquímico.

A exposição culmina com a pesquisa de Lola Zoido, que explora a paisagem através de ferramentas digitais como a modelagem tridimensional e a realidade virtual. Seus trabalhos refletem sobre a fragilidade de um território cuja existência é cada vez mais mediada por processos de captura, tradução e reconstrução algorítmica.

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