A arte como espaço para memória, resistência e reflexão é o tema central de Get Me A Stone , a nova exposição de Rosalind Nashashibi (Londres, 1973), em cartaz no Artium Museoa até 1º de novembro. A exposição reúne uma seleção de pinturas criadas entre 2021 e 2026, juntamente com o filme Occupation of The Inner Life (2026), obras que nasceram do profundo engajamento emocional e político da artista com a realidade da Faixa de Gaza.
Com raízes familiares palestinas e norte-irlandesas, Nashashibi manteve uma ligação constante com a Palestina ao longo de sua carreira. No entanto, nos últimos anos, ela tem buscado uma linguagem pictórica capaz de traduzir seus sentimentos e sua perspectiva sobre o conflito em imagens que transcendem a narrativa documental. Suas obras não se limitam a reproduzir a violência visível, mas constroem um espaço simbólico onde a sensibilidade, a memória e a experiência do deslocamento encontram uma forma de expressão.
Em suas pinturas, as pedras que dão nome à exposição se tornam um poderoso símbolo de resistência. As mãos que as seguram evocam o gesto primordial de oposição à dominação, enquanto o elemento mineral adquire uma dupla dimensão: é o material do qual se constroem os espaços cotidianos da vida, mas também o elemento a partir do qual surge a resposta à ocupação e à injustiça.
A artista também estabelece um diálogo constante com a história da pintura, entendendo a composição como um reflexo dos tempos históricos que a originam. Nesse sentido, o ato de pintar torna-se uma forma de habitar a distância imposta pelo exílio e de preservar o que permanece mesmo quando territórios, lares e corpos são atravessados pela violência.
A exposição desdobra um universo de presenças ausentes: camas, roupas, tecidos ou a sigla da Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA) aparecem como vestígios de uma vida cotidiana interrompida, fragmentos de uma memória coletiva que se recusa a desaparecer.
Paralelamente às pinturas, o filme "Occupation of The Inner Life" estabelece uma ligação entre o processo criativo da artista e sua esfera familiar, revelando como os afetos pessoais e os compromissos políticos se entrelaçam na prática artística.
Com curadoria de Catalina Lozano, Get Me A Stone utiliza símbolos e metáforas para abordar a realidade de Gaza, mas seu alcance transcende um território específico: suscita uma reflexão sobre a fragilidade da existência, a persistência da memória e a contradição de uma humanidade capaz de criar beleza enquanto convive com a destruição de sua própria espécie.