O corpo humano ocupa o centro das atenções em Body Matters , uma exposição no Museu de Arte de Columbia, em cartaz de 22 de agosto de 2026 a 3 de janeiro de 2027, que oferece uma nova perspectiva sobre as possibilidades do artesanato. A exposição se baseia em uma ideia fundamental: mesmo antes de um objeto de arte ser contemplado, existe um corpo que o concebeu, manipulou, construiu e transformou. O trabalho manual surge de uma relação física com a matéria e do conhecimento transmitido pelas mãos.
Madeira, cerâmica, vidro, têxteis e capim-cheiroso — uma gramínea particularmente ligada a certas tradições artesanais americanas — combinam-se para formar uma jornada na qual os materiais adquirem uma dimensão corpórea. As peças não apenas falam do corpo por meio de suas formas ou representações, mas também preservam os vestígios dos processos físicos que tornaram sua existência possível. Cada objeto contém, de alguma forma, os movimentos de seu criador: a pressão de uma mão, a repetição de um gesto, o esforço, a espera ou mesmo a ausência deliberada de movimento.

A exposição Body Matters reúne artistas de diferentes épocas para mostrar como o corpo permeia o mundo do artesanato, tanto como tema quanto como experiência. Algumas obras empregam representações figurativas; outras relacionam-se aos ciclos da vida ou a objetos concebidos para proteger, nutrir e satisfazer as necessidades fundamentais das pessoas. Em todos os casos, a exposição levanta questões sobre a estreita relação que mantemos com os objetos que nos rodeiam e como esses objetos participam do nosso cotidiano.
A dimensão corporal, portanto, aparece em dois sentidos. Por um lado, está presente naquilo que as obras representam: corpos, formas humanas, processos vitais e objetos ligados a funções essenciais. Por outro lado, está inscrita na própria materialidade das peças. O artesão trabalha com e a partir do corpo, e essa interação deixa marcas que podem permanecer visíveis ou ocultas no resultado final.
Essa ênfase no gesto faz das mãos um dos principais elementos conceituais da exposição. Em contraste com uma concepção de arte centrada unicamente na ideia ou na imagem, "Body Matters" valoriza o conhecimento que surge do contato direto com os materiais. Modelar, esculpir, tecer, soprar, trançar ou montar são ações que exigem tempo e esforço e geram uma relação íntima entre o criador e a própria criação.
A exposição convida-nos, assim, a reconsiderar o valor do trabalho manual num contexto cada vez mais dominado pela produção industrial e pelas tecnologias digitais. O objeto artesanal não é apenas o resultado de uma técnica: é também o registo de uma experiência física. As suas superfícies podem conter as marcas de uma forma particular de trabalhar, uma sequência de movimentos ou uma relação específica com o tempo.

Essa perspectiva também altera a posição do espectador. As obras não são apresentadas apenas como peças destinadas a serem observadas dentro de uma vitrine ou nas paredes de uma instituição. "Body Matters" propõe uma reflexão sobre os objetos que usamos diariamente, tanto dentro quanto fora do museu, e sobre a relação afetiva e física que estabelecemos com eles. Uma xícara, uma peça de roupa, um recipiente ou qualquer objeto produzido por meio de um processo artesanal pode conter uma história de uso, cuidado e contato.
Nesse sentido, a exposição expande o conceito tradicional de artesanato, inserindo-o em um âmbito onde arte, corpo e vida cotidiana se intercruzam. Os objetos podem nos proteger, nos alimentar, nos vestir ou nos fazer companhia, mas também podem preservar a memória das pessoas que os fizeram e daquelas que os utilizaram.
Body Matters faz parte do Handwork 2026 , uma colaboração nacional liderada pela Craft in America para comemorar o 1500º aniversário dos Estados Unidos. O projeto celebra a importância dos produtos feitos à mão e destaca a extraordinária diversidade de práticas artesanais que moldam a cultura americana.