Marian Brea (Barcelona, 1995) é uma artista visual cuja prática se baseia na criação de narrativas visuais que investigam a fragilidade, a memória e os processos de transição emocional. Através da imagem, da escultura e da instalação, seu trabalho frequentemente explora a tensão entre a linguagem literal e a experiência afetiva, bem como a construção de imaginários íntimos, simbólicos e pessoais.
Nesta ocasião, Brea criou um espaço de reflexão sobre o processo de luto e perda em sua nova exposição, Juntos para Sempre , apresentada na Fundação Arranz-Bravo em L'Hospitalet. Baseada em uma experiência pessoal, mas evitando o literalismo biográfico e a memória explícita, ela coloca a experiência da perda no centro da narrativa, sem a necessidade de oferecer soluções ou emitir julgamentos sobre essa ferida emocional, que é apresentada como um exercício de observação objetiva.
O projeto situa-se num terreno emocional e mental construído através de uma jornada visual composta por diferentes imagens que evitam a sucessão linear. Uma série de cenas que aparecem e desaparecem remetem ao surgimento espontâneo de memórias num estado próximo ao sonho, onde as imagens fugazes carecem de nitidez e não são narrativas. O artista experimenta com closes extremos, desfoques e pontos de vista parciais que impedem o espectador de compreender plenamente o significado e o contexto das cenas, relegando-o à posição de observador, como se tivesse acessado uma mente alheia. Ao mesmo tempo, o objetivo é colocar o visitante em primeira pessoa diante das imagens para reforçar a sensação de irrealidade e criar um limiar entre a veracidade e o estado onírico, assimilado à sensação provocada pelo processamento da dor.

Os elementos simbólicos são de grande relevância neste projeto, especialmente a borboleta, o ovo e as mãos. A borboleta, que assume sua forma mais bela no final de sua vida, alude ao seu ciclo de vida completo e à ideia de metamorfose. O ovo funciona como um símbolo duplo, representando tanto a origem quanto o fim — nascimento e despedida —, enquanto as mãos introduzem o corpo sem definir uma identidade específica e simbolizam cuidado, vínculo e proximidade.
A densidade simbólica das imagens contrasta com o uso das palavras, que também desempenham um papel central na exposição e se fazem presentes por meio de frases concisas como “deixar ir” ou “juntos para sempre”. Essa dicotomia entre densidade visual e concisão verbal marca o abismo entre tudo o que o corpo vivencia em uma experiência de luto e o que verbalizamos para ordenar essa experiência caótica e contraditória.
Marian Brea não busca oferecer respostas para esse processo vital, mas sim criar um espaço de acompanhamento, colocando-nos em um terreno ambíguo entre o que persiste e o que já não existe. Viver o luto é, muitas vezes, uma experiência solitária e íntima, especialmente em uma sociedade capitalista cada vez mais individualista, que define um tempo específico para enfrentar a perda. Em Juntos Para Sempre , a artista nos oferece um espaço suspenso entre o vazio e a memória, sem ser regido pelo tempo, como se nos desse a mão para navegar a despedida a partir da afetividade.