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Exposicions

A síndrome da galinha poedeira: repensando o tempo a partir da arte

Em Cardedeu, parar o tempo e repensar a vida através da arte como resistência à urgência e à produtividade contemporâneas.

A síndrome da galinha poedeira: repensando o tempo a partir da arte
bonart cardedeu - 01/04/26

Numa sociedade movida pela urgência e pela produtividade constante, o tempo deixou de ser uma experiência e tornou-se uma exigência. A Síndrome da Galinha Poedeira nasce precisamente dessa tensão: uma exposição no Museu Arquivo Tomàs Balvey, em Cardedeu, que estará em cartaz até 25 de maio e questiona a aceleração contemporânea e suas consequências na forma como vivemos, imaginamos e projetamos o futuro.

Por meio das propostas de Laura Llaneli, Biel Llinàs, Raquel Friera e Xavier Bassas, a exposição questiona as formas de autoexploração cotidiana que muitas vezes consideramos inevitáveis. Longe de se limitar a uma crítica abstrata, as obras abrem brechas: outros ritmos, outras percepções, outras maneiras de habitar o tempo.

O projeto do Instituto do Tempo Suspenso, desenvolvido por Friera e Bassas, dialoga com as práticas de Llaneli e Llinàs para colocar o tempo como sujeito central de reflexão. Não se trata apenas de medi-lo ou representá-lo, mas de transbordá-lo, interrompendo sua lógica linear e produtiva para recuperar espaços de pausa e experiência.

Com curadoria de Mercè Alsina e Enric Mauri, a exposição articula um conjunto de propostas objetuais, sonoras, de instalação e performance que nos convidam a repensar o uso do tempo na sociedade contemporânea. Nesse sentido, a arte é reivindicada não apenas como um espaço de representação, mas também como um ato de resistência temporal.

A síndrome da galinha poedeira não oferece respostas definitivas, mas sim perguntas necessárias: é possível desacelerar? Podemos imaginar futuros fora da lógica produtivista? E, acima de tudo, como podemos reivindicar o tempo como um espaço compartilhado e coletivo, aberto à possibilidade?

Num presente saturado de imediatismo, esta exposição torna-se um convite à pausa. À escuta. À reflexão sobre o tempo — e, com ele, sobre o futuro.

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