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Exposicions

Um crânio mesoamericano retorna a Oaxaca e reivindica seu lugar na memória de seu território.

Foto: Gerardo Peña, INAH.
Um crânio mesoamericano retorna a Oaxaca e reivindica seu lugar na memória de seu território.
bonart oaxaca - 19/08/26
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Um antigo crânio mesoamericano retornou ao México após décadas na Holanda e agora se prepara para iniciar um novo capítulo ligado à sua terra natal. O Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) detém atualmente a custódia do crânio, que está programado para ser exibido a partir de abril de 2027 no Museu Comunitário Yucu Saa, em Villa de Tututepec, Oaxaca.

A peça apresenta uma decoração única feita com turquesa, quartzo e jadeíta, aplicada por meio de pequenas tesselas que formam um desenho associado a uma serpente. Análises realizadas após seu retorno ao México confirmaram que tanto os materiais utilizados no ornamento quanto o próprio crânio têm origem pré-hispânica. Além disso, a técnica decorativa possui precedentes documentados na Mesoamérica durante o período Pós-Clássico Tardio, entre 1200 e 1521 d.C.

O estudo científico também permitiu identificar um elemento posterior: aproximadamente 99% do adesivo utilizado na decoração é moderno, o que indica uma intervenção realizada em tempos contemporâneos sobre os vestígios originais.

A história recente da peça é marcada por sua remoção do México e por um processo de restituição que começou a tomar forma anos depois. O crânio foi adquirido em 1964 por um museu em Leiden, na Holanda, por meio de um negociante americano e sem qualquer documentação que comprovasse sua procedência. Décadas mais tarde, sua presença na Europa despertaria o interesse de um grupo cultural indígena e de um artista mexicano.

O ponto de virada ocorreu em 2022, quando o artista contemporâneo Daniel Aguilar Ruvalcaba tomou conhecimento da existência do crânio durante sua residência na Rijksakademie, em Amsterdã. Ele então buscou a colaboração do Nohivi Ñuu Savi, um coletivo cultural liderado por indígenas, para lançar uma campanha com o objetivo de sua restituição.

A iniciativa encontrou posteriormente apoio institucional. Em 2023, as autoridades mexicanas apresentaram formalmente um pedido de repatriação aos Países Baixos. As autoridades holandesas confirmaram em dezembro de 2024 que aceitariam o retorno, e o crânio foi finalmente repatriado para o México em maio de 2025.

O INAH (Instituto Nacional de Antropologia e História) considera esses restos mortais como sendo de indivíduos pré-hispânicos originários do território mexicano, circunstância que fundamentou o pedido oficial de sua restituição. Assim, a sua devolução levanta uma questão que transcende a mera recuperação de uma peça arqueológica: a restituição de restos mortais implica também o seu retorno a um contexto histórico, cultural e comunitário.

Após a repatriação, os habitantes de Tututepec lançaram uma petição exigindo o reconhecimento do papel desempenhado pelo coletivo Nohivi Ñuu Savi no processo e enfatizando a importância do retorno dos restos mortais à região com a qual estão ligados.

A próxima exposição no Museu Comunitário de Yucu Saa, agendada para abril de 2027, encerrará, de certa forma, uma longa jornada que começou muito antes da peça chegar à Europa. O crânio deixará de ser apenas um objeto preservado em uma instituição estrangeira e será incorporado novamente a uma narrativa construída a partir de seu território de origem, destacando as relações entre patrimônio, memória, restituição e comunidades indígenas.

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