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Exposicions

O oceano como território de memória, transformação e resistência.

O oceano como território de memória, transformação e resistência.
bonart panamá - 13/06/26

No primeiro andar do Museu de Arte Contemporânea do Panamá (MAC), a exposição "Outras Montanhas, Aquelas que Vagam Livres Sob as Águas" convida os visitantes a mergulharem numa visão do oceano que transcende sua dimensão biológica. Com curadoria de Yina Jiménez Suriel e Juan Canela, a exposição propõe compreender o mar como um espaço compartilhado de vida, memória e constante transformação, onde convergem histórias humanas e não humanas.

As artistas caribenhas Tessa Mars, do Haiti, e Nadia Huggins, de Trinidad e Tobago, utilizam a improvisação como ferramenta de criação e pensamento crítico. Por meio de suas instalações, ambas questionam as estruturas de poder tradicionais e os sistemas que determinam quais corpos, territórios e formas de existência são visíveis ou reconhecidos.

A videoinstalação de Nadia Huggins, A Shipwreck Is Not a Wreck (2025), explora a improvisação como forma de escapar das rígidas estruturas perceptivas que sustentam diversas formas de dominação social, coletiva e sensorial. A obra conduz o espectador através dos destroços de um navio naufragado que, longe de representar um fim ou uma ruína estática, se transforma em um organismo vivo em constante metamorfose. Corais, rochas, manguezais, águas-vivas e corpos humanos coexistem em uma paisagem onde o oceano surge como uma força que transforma e sustenta a existência.

A proposta de Huggins rejeita as categorias simplistas de bem e mal para dar lugar a personagens e entidades marcadas por ambiguidade, vulnerabilidade e complexidade emocional, refletindo assim a diversidade de relações que emergem nos ecossistemas marinhos.

Em sua instalação audiovisual A Call to the Ocean (2025), Tessa Mars conecta a improvisação com a ideia de “fuga”, um conceito desenvolvido pelo artista e filósofo Dénètem Touam Bona. Nesse contexto, fuga não significa escapar, mas sim transformar-se continuamente para evitar mecanismos de controle e abrir caminhos para novas possibilidades de existência.

Na obra de Mars, as montanhas deixam de ser meras paisagens naturais e se tornam entidades ativas que participam da história da vida na Terra. Em contraste com a perspectiva terrestre que entende essas paisagens como recursos destinados à exploração, o artista propõe uma visão oceânica na qual as montanhas são seres de alteridade, conectados a processos geológicos, espirituais e coletivos.

A experiência em ambas as instalações envolve não apenas a visão, mas também o corpo do visitante. As obras podem ser habitadas e percorridas, gerando experiências imersivas nas quais a percepção se expande e se desloca para outros pontos de vista.

Adaptar as peças ao espaço do MAC representou um desafio curatorial, já que elas foram originalmente concebidas para um ambiente de maior escala durante sua apresentação em Veneza, dentro de uma antiga igreja. Segundo Juan Canela, a transferência para o museu panamenho — localizado em um prédio que antes servia como templo maçônico — gerou uma coincidência simbólica: “Rimos durante a instalação porque a exposição passou de um templo em Veneza para outro aqui.”

Canela enfatiza que a essência da exposição reside na sua capacidade de abrir novas formas de imaginar o mundo: “Ambas as obras defendem a imaginação e a possibilidade de pensar em outras formas de estar no planeta. Queremos que o público possa ver, sentir e experimentar a partir de diferentes perspectivas.”

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