Enredos II: Nuno da Luz é a nova proposta do Centro Botín, na cidade de Santander, com uma exposição ao ritmo das marés, ventos e temperaturas característicos da praia de Sardinero, na cidade cantábrica. O artista lisboeta apresenta um percurso onde transforma o ambiente em exposição e se entrelaça com as oscilações do edifício, de Renzo Piano e Luis Vidal.
Atmosfera sonora dentro do centro museológico, que envolve obras de Tacita Dean, Eva Fàbregas, Damián Ortega ou Jorge Satorre, entre outros. Este percurso sonoro pelas criações de Nuno da Luz é o segundo capítulo da programação Enredos, apresentada pelo Centro Botín com uma reverberação climática e curadoria de Bárbara Rodríguez Muñoz.
NUNO DA LUZ Collected Airs, 2025 Foto: Belén de Benito
É um encontro emocional que conecta com a coleção, mas também transporta o espectador e ouvinte das obras de Nuno da Luz para o edifício e todo o ambiente natural que o cerca, a partir de diferentes frequências de ressonância. Portanto, é uma jornada para ver, contemplar, ouvir e sentir. O artista traduz as intensidades, ritmos e padrões de Santander em sons que "transformam espaços e arquitetura", afirma.
O trabalho de Nuno da Luz (Lisboa, 1984) pode ser definido como arte ambiental, criando e tecendo conexões com o tempo, as marés, o vento ou as mudanças climáticas. Tudo isso se traduz em intensidades, ritmos e padrões de fenômenos sonoros que transformam espaços e arquitetura. Este projeto surge do interesse de Nuno pelas fontes sonoras do ambiente e seu potencial de transformação vibracional, que envolve todos os corpos – sejam eles humanos, não humanos, orgânicos ou artificiais – por meio da "ressonância simpática".
Duas novas instalações do artista foram criadas para a exposição: Serviço de Descarte Sônico da Baía de Santander e Ares Coletados. "Quero trazer para o espaço muitas vibrações diferentes que ocorrem lá fora, seja no ar ou na água, filtrando-as ou fazendo-as ressoar através das paredes do edifício, com transdutores ocultos e não tão ocultos", diz Nuno da Luz.
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A Collected Airs criou um conjunto de unidades de reverberação (grandes placas de aço suspensas, equipadas com um transdutor que converte sinais de áudio em vibração física) que, nesta ocasião, são "reimaginadas" como um instrumento, uma presença escultural que interage com seu ambiente.
Para "ativá-los", o artista lisboeta convidou diferentes intérpretes da cena musical portuguesa para improvisar e tocar com cada unidade de reverberação. Assim, a performance de cada um deles é registrada e reproduzida através da placa que lhes foi atribuída no espaço expositivo, fazendo com que a instalação se transforme e expanda suas fontes sonoras a cada ativação. As placas não apenas transmitem essas performances, mas também ressoam com uma transmissão ao vivo de sons ambientes vindos de fora do Centro Botín.