O artista de Málaga, residente em Berlim, reflete sobre formas extremófilas e transforma o Claustro Leste do Mosteiro da Cartuja em um laboratório e templo científico. De 29 de maio a 11 de janeiro de 2026, Regina de Miguel estará em exibição no CAAC. Uma pedra canta, com curadoria de Jimena Blázquez -diretora do museu-.
Uma nova exposição no CAAC onde são reveladas dimensões mitológicas, elementos cósmicos, telúricos, ancestrais, divindade, mito, riqueza histórica e enfoque social do território andaluz com obras criadas para a ocasião. Regina de Miguel transforma o espaço para que formas de vida extremófilas possam se tornar metáforas e alimento para o pensamento. Um espaço de dúvidas, questionamentos, incertezas, vozes silenciadas e elementos tecnológicos, um cenário onde essa criação se transforma em presenças insurgentes, questionando os sistemas que delimitam tudo o que é possível.
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A jornada criada por Regina de Miguel começa com O Último Termo Que Me Vem à Mente, de 2010, uma das obras emblemáticas de sua carreira. Aqui ele cria uma cartografia emocional onde imagens de icebergs são combinadas com dados estatísticos sobre solidão, depressão ou suicídio, propondo uma criação com uma geografia simbólica de colapso interior.
De Nekya, um filme que ri, uma proposta que vai de Tartessos até o presente para encontrar a maior escultura de cerâmica criada pelo artista andaluz que marca o ponto final do percurso expositivo. A peça tridimensional simula uma mina a céu aberto e representa a memória da mineração no sul da Espanha. Mais adiante, chegamos a Vida em Conamara II, uma obra em colaboração com a Faculdade de Belas Artes da Universidade de Sevilha, e ali encontramos pedras de obsidiana em homenagem ao pintor barroco Bartolomé Esteban Murillo.
O título Canta una pedra levanta uma interrogação sobre a relação que o ser humano estabelece com todos aqueles elementos que considera animados ou inanimados, desafiando a dualidade e a dicotomia entre natureza e cultura. Regina de Miguel criou um universo repleto de materiais por meio de instalações, pinturas, aquarelas, peças audiovisuais, gravuras em metal e cerâmica, para percorrer uma jornada de camada em camada até chegar ao elemento mais escondido, inóspito e silenciado.
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De 2025 é a série de aquarelas Fulgor baseada na pintura mural de mesmo nome. Cada peça funciona como uma unidade incompleta que lembra estruturas celulares como sistemas planetários. O curador explica que essas são peças que exigem atenção lenta como uma invocação ao que permanece sem se tornar totalmente visível. O CAAC reafirma seu compromisso com a produção artística a partir de uma perspectiva crítica e colaborativa, vinculada ao entorno imediato.