Arenys de Mar volta a ser um grande palco da cultura popular com a celebração de Sant Roc, uma festa que todos os anos em agosto resgata rituais, danças, músicas e tradições enraizadas na história da cidade. De 14 a 16 de agosto, as ruas se enchem de gigantes, macips, macipes e macipetes, enquanto diversos eventos dão ainda mais significado a uma festa que em 2021 foi reconhecida como Festa do Patrimônio de Interesse Nacional.
O programa terá início com a Nocturna de Gegants, que este ano assume um significado especial por comemorar seu 30º aniversário. A presença dos gigantes é um dos elementos mais reconhecíveis do festival e contribui para transformar o espaço público em um ponto de encontro entre patrimônio, participação cidadã e cultura popular.
A celebração está intimamente ligada à Promessa da Cidade a Sant Roc, uma tradição que remonta ao final do século XVI. Segundo a tradição, durante os episódios de peste que afetaram a cidade, os habitantes de Arenys de Mar prometeram honrar Sant Roc caso a população fosse libertada da epidemia. Desse compromisso nasceu uma celebração que, séculos depois, continua a marcar o calendário festivo de Arenys de Mar e que tem o seu momento central em 16 de agosto.

A peste retorna no século XVI.
A noite de 15 de agosto será um dos momentos mais teatrais da celebração com La Pesta, um espetáculo incorporado ao Festival de Sant Roc em 2010 com o objetivo de recuperar e explicar as origens históricas do Vot de Vila.
O espetáculo transporta o público para o século XVI, quando o medo da propagação da peste marcava profundamente a vida da população. Através do teatro, o festival recupera essa atmosfera de angústia, mas também a dimensão espiritual e comunitária que acabou por ligar a proteção de Sant Roc à promessa coletiva do povo de Areny.
Desde que foi incorporada à programação, La Pesta se tornou um dos espetáculos emblemáticos de Sant Roc e uma forma de dar forma cênica a uma parte essencial da memória da cidade.
Uma dança que também é patrimônio cultural.
No dia 16 de agosto, coincidindo com a festa de Sant Roc, chegará outro dos momentos mais significativos: a Dança de Arenys. Este ano, esta tradição conta também com uma nova ferramenta para aprofundar a sua história e significado com a publicação de uma monografia pelo Museu Arenys de Mar dedicada a esta expressão da cultura popular.
A publicação, coordenada pela Associação Cultural de Arenys de Mar (BAR), apresenta textos de Bernat Salbanyà, documentação e revisão de Roser Maresma e design de Aitor Sampere. O volume permite-nos aproximarmo-nos da história de uma dança que, para além da sua dimensão festiva, faz parte do património imaterial da vila.

Fotografia: Arquivo Histórico Fidel Fita, autor não identificado.
A Dança de Arenys foi revivida em 1949 e, a partir de 1953, passou a ser realizada na tarde de Sant Roc por iniciativa do administrador sênior do Conselho de Sant Roc, Josep Maria Nogueras. Desde então, sua presença na festa tem contribuído para manter vivo um ritual que é transmitido de geração em geração.
Entendeda como patrimônio cultural imaterial, a Dança de Arenys não se preserva em um objeto específico, mas sim em uma prática que precisa ser executada e compartilhada para continuar existindo. Música, gestos, conhecimento, movimentos e formas de relacionamento social se unem para construir uma linguagem coletiva.
Nesse sentido, a dança faz parte da tradição da dança de quadrilha, uma forma de dança social ligada a celebrações comunitárias, especialmente festivas e religiosas. Portanto, não se trata apenas de uma coreografia para ser contemplada: historicamente, a dança de quadrilha implicava a participação direta da comunidade e diluía a fronteira entre o dançarino e o espectador.