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Exposicions

Argillà Argentona 2026 se apresenta como uma grande referência internacional em cerâmica.

O festival apresenta o cartaz de David Callau, estreia o projeto "cidade convidada" e reforça uma programação que olha para o futuro sem renunciar às suas raízes.

Argillà Argentona 2026 se apresenta como uma grande referência internacional em cerâmica.
bonart argentona - 26/06/26

Argillà Argentona continua a consolidar sua projeção internacional. A apresentação oficial da edição de 2026 serviu para revelar o novo cartaz do festival, obra do artista David Callau, e para apresentar uma programação que reforça sua vocação de se tornar um dos grandes eventos europeus dedicados à cerâmica artística e artesanal.

A nova diretora do Museu del Càntir e do Festival Argillà, Eva Pascual Miró, destacou que o evento já ultrapassou a fase de consolidação. "Argillà é agora um festival internacional de referência", afirmou, sublinhando a presença de artesãos e criadores da Catalunha, Espanha, França, Eslovênia, Hungria, Marrocos e Polônia.

Entre as principais novidades desta edição destaca-se o lançamento do projeto "cidade convidada", uma iniciativa que visa fortalecer os laços entre os principais centros de cerâmica da península. A primeira protagonista será La Rambla (Córdoba), considerada um dos mais importantes centros de cerâmica da Espanha, tanto pelo número de oficinas quanto pela sua tradição artesanal. Coincidindo com o centenário da sua feira de cerâmica, Argillà receberá onze artesãos da cidade andaluza e uma seleção de obras do seu museu.

O programa artístico reserva ainda um espaço de destaque para a formação e a criação contemporânea. A Escola de Arte e Design de Llotja, que este ano celebra o seu 250.º aniversário, será a estrela de uma mostra especial dedicada à sua trajetória no mundo das artes aplicadas. Simultaneamente, o festival acolherá exposições dos ceramistas Jan Madrenas e Sergi Pahissa, dois criadores com uma sólida projeção internacional e cujas obras se encontram em coleções e exposições por todo o mundo.

Outro dos destaques acontecerá no dia 3 de julho, quando a Cântaro do Ano, obra de seus criadores, será oficialmente apresentada. Como manda a tradição, a peça só será colocada à venda após a bênção dos cântaros na Festa de Sant Domènec, em 4 de agosto, mantendo assim uma das tradições mais emblemáticas da Argentina.

Um cartaz que presta homenagem à memória e às raízes.

Um dos momentos mais aguardados da apresentação foi a revelação do cartaz oficial, criado pelo pintor David Callau. O artista propõe uma imagem repleta de simbolismo que homenageia os ancestrais e o mundo rural através de figuras femininas modeladas com as cores da terra.

Segundo Callau, as protagonistas representam "mulheres da terra, do mar e do campo" que evocam esforço, perseverança e a capacidade de seguir em frente apesar do peso da vida. A água que elas seguram acima da cabeça simboliza a vida, a renovação e a esperança, numa composição que também reivindica as paisagens e cores típicas da Catalunha.

O artista também defendeu a importância de preservar a autenticidade do processo criativo em uma era marcada pelas novas tecnologias. Para ele, o pôster mantém vivo o espírito do design tradicional de pôsteres, apostando no gesto pictórico original e no valor do trabalho criado manualmente.

Callau também ficará responsável por pintar ao vivo a obra "Cerca do Ano" durante um espetáculo que combinará pintura, música e poesia com o acompanhamento musical de Pep Lladó, uma proposta interdisciplinar que transformará a criação artística em uma experiência compartilhada com o público.

Uma tradição que continua a evoluir.

Durante a apresentação, a prefeita de Argentona, Montse Capdevila, destacou que Argillà se tornou muito mais do que uma feira de cerâmica. Segundo ela, o festival é agora um projeto cultural coletivo que posicionou Argentona como uma das grandes referências em cerâmica na Catalunha, no país e com crescente projeção internacional.

Capdevila destacou que o grande sucesso da Argillà reside em ter conseguido evoluir sem perder a sua identidade, combinando o respeito por uma tradição profundamente enraizada com uma visão aberta à inovação, à criatividade e ao futuro.

Jan Madrenas: o corpo, a memória e a arte

O artista de cerâmica Jan Madrenas apresenta Indo à Fonte , uma exposição que reflete sobre o gesto cotidiano de transportar água e a relação íntima que se estabelece entre o corpo e os objetos que o acompanham.

Para Madrenas, o recipiente deixa de ser um simples recipiente para se tornar uma extensão do corpo. Quando usado, modifica a postura, o movimento e até mesmo a forma de habitar o espaço, criando uma figura híbrida onde pessoa e objeto se transformam mutuamente. Uma ideia que a artista relaciona a elementos da cultura popular catalã, como gigantes e cabeçudos, capazes de expandir simbolicamente o corpo humano e transformá-lo em um novo personagem.

Para além dessa reflexão formal, a exposição representa também um regresso às origens. "Ir à fonte" significa, metaforicamente, retornar às origens do artesanato, à tradição artesanal e ao conhecimento transmitido entre gerações. As peças incorporam técnicas ancestrais de redução, oxidação e queima em forno a lenha, permitindo que o próprio fogo deixe a sua marca no material.

Um dos elementos mais fascinantes da exposição é a incorporação das cinzas da última fornada feita pelo pai do artista no forno da família nos Pré-Pirenéus. Essas cinzas, reutilizadas após a restauração do forno, simbolizam a continuidade entre gerações e fazem de cada peça um testemunho vivo da transmissão do ofício.

La Rambla, cidade convidada

Outra das grandes novidades do Argillà 2026 é a incorporação do projeto de cidade convidada, que se inaugura com La Rambla (Córdoba), um dos grandes centros históricos de cerâmica da Península Ibérica.

O Stone Salon apresentará uma seleção de obras do Museo de la Cerámica de La Rambla, uma instituição criada em 2002 que preserva o legado de uma população profundamente ligada à produção cerâmica.

A exposição permite traçar a história da cerâmica local desde os primeiros vestígios pré-históricos até às criações atuais, explicando também os processos de extração da argila, o fabrico das peças e a sua comercialização. A exposição destaca ainda a centenária Exposición de Alfarería y Cerámica de La Rambla, hoje conhecida como ENBARRO, considerada a mais antiga feira de cerâmica da Espanha.

Por meio desta seleção patrimonial, o público poderá descobrir como objetos do cotidiano explicam a história, as tradições e a identidade de um território que continua sendo uma das grandes referências da cerâmica artesanal.

Sergi Pahissa: quando o fogo se torna um pincel

A histórica Casa Puig i Cadafalch será o cenário da exposição dedicada ao ceramista Sergi Pahissa Raventós, que apresenta uma seleção de peças de suas séries Containers of Time e Theia .

Com mais de vinte e cinco anos de experiência, Pahissa desenvolveu uma linguagem muito pessoal focada no trabalho com o torno, onde o processo criativo se baseia no diálogo constante entre as mãos e a argila. Longe de querer dominar o material, o artista se deixa levar pelo seu comportamento natural, buscando o equilíbrio entre controle e espontaneidade.

Suas obras se destacam pelas superfícies de grande riqueza plástica, com intensos contrastes cromáticos que transformam cada peça em uma verdadeira pintura tridimensional. O fogo desempenha um papel fundamental: mais do que um utensílio de cozinha, torna-se um elemento criativo capaz de desenhar texturas, cores e atmosferas irrepetíveis.

Para alcançar esses resultados, Pahissa geralmente trabalha com argilas refratárias de alta temperatura e combina técnicas tão diversas quanto o raku japonês, a sigillata etrusca, o brunimento inspirado nos maias e vários processos experimentais de queima.

Seu trabalho vem atraindo crescente interesse internacional e atualmente faz parte de coleções particulares e projetos de design de interiores, especialmente no mercado asiático, onde várias de suas peças já foram adquiridas por colecionadores e galeristas na China.

Com estas três exposições, a Argillà Argentona amplia sua visão da cerâmica contemporânea e reivindica essa linguagem artística como um espaço onde memória, patrimônio, inovação e experimentação coexistem. Uma proposta que confirma o festival como um dos eventos essenciais para os amantes da arte cerâmica.

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