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Exposicions

Imagem de um segredo

Confluências entre o presente e o passado na obra de Francesc Ruestes no Centro Cultural La Mercè.

Música de las esferas, 2014. Francesc Ruestes.
Imagem de um segredo
bonart girona - 04/06/26

No Centro Cultural La Mercè, de 4 de junho a 30 de julho, é apresentada a exposição Imagem de um Segredo , com curadoria de Eudald Camps, que propõe uma jornada inusitada: em vez de olhar para o passado, convida-nos a observar como o tempo se sobrepõe e é reescrito na obra de Francesc Ruestes.

A proposta não é uma retrospectiva convencional, mas um espaço de tensão viva entre fases criativas que, à primeira vista, podem parecer distantes, mas que aqui dialogam naturalmente. Nesse campo, passado e presente não se opõem: convergem, reconhecem-se e transformam-se.

Ruestes, formado como discípulo de Josep Granyer e ligado ao ecossistema criativo que o conecta a figuras como Salvador Dalí, Joan Brossa e Joan Ponç, constrói uma obra que evita qualquer classificação rígida. Longe da tentação dos "ismos", sua trajetória defende uma continuidade interna, uma coerência que persiste para além dos rótulos historiográficos.

  • Eva Cobo. Evidência geológica, 1985. Francesc Ruestes.

Nesse sentido, sua prática pode ser entendida como uma espécie de desconstrução autobiográfica: um exercício em que diferentes momentos vitais e formais são reunidos, como se se reconhecessem após um longo silêncio. O que poderia parecer dispersão revela-se, na verdade, a mesma voz que muda de registro sem perder a identidade.

A obra de Ruestes faz parte de uma busca constante pelas grandes questões da arte e do pensamento: quem somos, onde estamos e para onde vamos. Mas essa questão não é formulada a partir de um ponto de vista solene, e sim de uma rigorosa exploração formal que busca novas sintaxes visuais, capazes — nas palavras de Foix — de nos revelar a natureza.

  • Imagem de um segredo, 2001. Francesc Ruestes.

Essa natureza, no universo do artista, nunca é unívoca. É multifacetada, composta por múltiplas camadas conceituais e sensíveis que oscilam entre a abstração — o limite, o infinito — e a concretude mais poética. Uma natureza que não descreve, mas propõe leituras, deslocamentos e fissuras.

A exposição também dialoga com uma tradição mais ampla que atravessa disciplinas e geografias. Da “escultura de parede” a referências como Eva Hesse, Robert Rauschenberg, Daniel Spoerri ou Sheila Hicks, Ruestes incorpora um claro desejo de romper as fronteiras entre as linguagens artísticas, expandindo os limites do que entendemos por escultura ou pintura.

Nesse contexto, a exposição se torna um exercício de reconciliação temporal. Colocar obras “antigas” e “recentes” em diálogo dissolve a antiga querela entre antigo e moderno e questiona a necessidade de dividir a criação em períodos estanques. Como se a historiografia, com sua obsessão por cronologias, tivesse esquecido que os artistas não mudam de pele a cada rótulo.

  • Espaço Onírico, 2025. Francesc Ruestes.

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