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Exposicions

Quando a pintura deixa de ser uma janela para os Nabis

La Pedrera acolhe uma grande exposição dedicada aos Nabis que, através de mais de 200 obras, explora o movimento que, no final do século XIX, transformou a pintura moderna, colocando a cor, a subjetividade e a vida quotidiana no centro da criação artística.

Pierre Bonnard, Mouvement de rue, 1911.
Quando a pintura deixa de ser uma janela para os Nabis

A exposição Os Nabis: de Bonnard a Vuillard convida os visitantes a mergulhar na aventura artística de um grupo que, no final do século XIX, transformou decisivamente o rumo da pintura moderna. Este percurso expositivo, com curadoria de Isabelle Cahn, que pode ser visitado de 6 de março a 28 de junho na Fundació Catalunya La Pedrera, revisita o compromisso radical de criadores que colocaram a emoção, a subjetividade e a intimidade do quotidiano no centro da experimentação estética. Ao distanciarem-se do naturalismo dominante, os Nabis abriram novos caminhos que antecipariam muitas das preocupações formais e conceptuais das primeiras vanguardas do século XX.

No final do século XIX, em Paris, um grupo de artistas que se autodenominavam Nabis — “profetas” — compreendeu que a pintura não deveria ser uma janela aberta para o mundo, mas uma superfície capaz de revelar um olhar interior. Diante do naturalismo e da obsessão pela luz impressionista, figuras como Pierre Bonnard, Édouard Vuillard, Maurice Denis e Paul Sérusier se comprometeram com uma revolução silenciosa, porém decisiva.

Sua modernidade não reside no escândalo, mas na convicção de que a pintura é, acima de tudo, uma superfície plana coberta de cores dispostas em uma certa ordem — como defendia Denis. Cores intensas e muitas vezes não naturalistas, formas simplificadas, espaços sem profundidade ilusória: tudo a serviço de uma experiência emocional e simbólica. O cotidiano — interiores domésticos, cenas íntimas, momentos aparentemente banais — torna-se território poético.

Os Nabis também diluíram as fronteiras entre pintura e artes decorativas, integrando design de cartazes, ilustração e design em um único conceito estético. Esse desejo de unir arte e vida, aliado à influência do Japonismo e seu espírito simbólico, os coloca como uma ponte essencial para as vanguardas do século XX. Talvez não tenham causado grande impacto imediato, mas mudaram a forma como entendemos o que é a pintura — e o que ela pode ser.

Organizada com o apoio excepcional do Musée d'Orsay, a exposição oferece uma viagem pelas bases estéticas, influências e conceitos que definem o universo dos Nabis. Através de uma seleção ampla e significativa de obras, revela a riqueza formal, a pluralidade de linguagens e a força criativa de um movimento decisivo na transição do Impressionismo para as primeiras vanguardas do século XX.

  • Félix Vallotton, Misia à son bureau, 1897.

A exposição centra-se especialmente em duas figuras-chave: Pierre Bonnard, com a sua investigação subtil sobre a luz e a autonomia da cor, e Édouard Vuillard, que transforma o espaço doméstico num palco de introspecção e densidade psicológica.

Seria difícil imaginar um cenário mais adequado do que a Casa Milà para acolher esta proposta. Tal como os Nabís, o edifício partilha o mesmo desejo: dissolver as fronteiras entre a arte e a vida e compreender a criação artística como uma experiência total que permeia o espaço quotidiano.

A Fundação Catalunya La Pedrera promove na Casa Milà a primeira exposição inteiramente dedicada aos Nabís em Barcelona, reunindo mais de 200 obras de artistas atuantes na França entre 1888 e 1900. A mostra não se limita à pintura: inclui também desenhos, gravuras e esculturas, destacando a dimensão transversal do movimento. Para além da tela, os Nabís exploraram áreas como o design de papéis de parede, tapeçarias, biombos, objetos manufaturados e decoração de interiores, reafirmando seu desejo de integrar arte e vida.

A exposição desdobra os princípios estéticos, as influências e os conceitos que definiram o grupo e demonstra, por meio de uma ampla gama de obras, sua riqueza formal e sua capacidade de inovação. Nesse contexto, os Nabis emergem como figuras decisivas na transição do Impressionismo para as primeiras vanguardas do século XX, protagonistas de um momento crucial na construção da modernidade artística.

A exposição está dividida em nove seções temáticas que seguem os principais eixos da produção dos Nabís e nos permitem compreender, ao mesmo tempo, a cumplicidade estética do grupo e as singularidades de cada um de seus membros.

  • Pierre Bonnard, Place de Clichy, 1898.

A exposição abre com o círculo Nabís, que contextualiza os laços pessoais e intelectuais que moldaram o movimento, e continua com uma revolução estética, onde se evidenciam a ruptura com o naturalismo e a defesa de uma linguagem plástica baseada na cor, na síntese formal e na subjetividade.

O itinerário aprofunda-se então na vida parisiense e no universo do teatro, da música e dos espetáculos, áreas fundamentais na imaginação visual do grupo. O capítulo dedicado ao simbolismo – entre o esoterismo, os sonhos e o misticismo – revela a dimensão espiritual e poética do seu trabalho, enquanto as secções focadas em paisagens e jardins mostram a sua leitura particular da natureza.

O desejo de integrar arte e meio ambiente se manifesta fortemente na decoração moderna, culminando em duas seções que condensam grande parte de sua ideologia: a representação da vida cotidiana, transformada em um espaço de intimidade e introspecção, e o Mediterrâneo, entendido como um território de luz, cor e plenitude sensorial.

“Lembremos que uma pintura — antes de ser uma obra de trabalho, uma mulher nua ou qualquer anedota — é essencialmente uma superfície plana coberta de cores dispostas em uma determinada ordem.” Maurice Denis, em 1890.

Os Nabís: de Bonnard a Vuillard
A Pedreira
Barcelona
06/03/2026 a 28/06/2026

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