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Exposicions

Teresa Vall Palou e atmosferas cromáticas para habitar a cor

O CEART Centro de Arte Tomás y Valiente, em Fuenlabrada, acolhe uma exposição que revela a dimensão aquática, introspectiva e vibrante de uma das vozes mais singulares da abstração contemporânea.

TERESA VALL PALOU, Composició tela 624, 2023.
Teresa Vall Palou e atmosferas cromáticas para habitar a cor
bonart fuenlabrada - 04/03/26

A carreira pictórica de Teresa Vall Palou (Lleida, 1951) construiu-se à margem de programas fechados e de qualquer dependência estilística explícita. No entanto, a sua obra dialoga com algumas das correntes mais significativas da abstração do século XX. Nas suas telas, percebem-se afinidades com o expressionismo abstrato norte-americano e o informalismo europeu, entendidas não como afiliações diretas, mas como ressonâncias ativadas pela liberdade e pela experiência pessoal.

O CEART Centro de Arte Tomás y Valiente apresenta, de 27 de fevereiro a 3 de maio, a exposição Atmosferes cromaticas , uma seleção de trabalhos recentes que se concentra precisamente nessa dimensão envolvente e sensorial da cor. A inauguração contará com a participação do crítico Fernando Castro Flórez, e a exposição é organizada em colaboração com a Galeria Miguel Marcos e a revista Bonart.

  • TERESA VALL PALOU, Composição do tecido 591, 2021.

Na pintura de Vall Palou, é possível traçar uma certa harmonia com a herança do gotejamento de Jackson Pollock, bem como com a concepção expansiva de campos de cor de Mark Rothko. Algumas de suas propostas mais recentes também evocam postulados da abstração pós-pictórica, em particular as atmosferas cromáticas desenvolvidas por Morris Louis.

Para além dessas afinidades, o artista afirma uma voz inconfundivelmente única. Seu trabalho combina gesto, mancha e grafismo em um equilíbrio preciso entre impulso e controle. A espontaneidade não exclui a construção consciente do espaço pictórico; pelo contrário, integra-se a uma arquitetura compositiva que intensifica a vibração da cor. Cada tela torna-se, assim, um campo de energia e sensibilidade, onde a paixão cromática articula uma experiência visual imersiva e profundamente contemporânea.

A imaginação de Teresa Vall Palou é profundamente aquática, no sentido que Gaston Bachelard lhe atribuiu: um território fluido onde a matéria se transforma em sonho e a cor adquire a cadência da respiração. Suas telas evocam tanto o impulso incessante das ondas do oceano quanto a expansão concêntrica de um lago calmo, esse espelho trêmulo no qual a fragilidade da nossa existência parece se refletir.

  • TERESA VALL PALOU, Composição do tecido 606, 2022.

Há — se é que a sinestesia vale a pena — uma música secreta nessas formas que se dobram e se dobram como uma lenta vertigem. As superfícies vibram com uma harmonia contida, mas também com uma pulsação subterrânea: o pulso obstinado da vida que avança, que é inquieto e que, apesar de tudo, aproxima a serenidade. Cada traço é uma oscilação entre impulso e silêncio; cada véu, uma respiração suspensa.

Suas obras revelam-se como paisagens introspectivas, geografias da alma onde a cor constrói atmosferas habitáveis. Não são espaços para serem observados à distância, mas sim percorridos. Neles, formam-se nuvens de luz, emanações cromáticas que flutuam entre o aéreo e o aquático, como se o céu e a água convergissem na mesma substância sensível.

Nessa fusão de elementos, Teresa Vall Palou encontra na pintura um espaço vital: um lugar para habitar poeticamente o mundo, para transformar a matéria em experiência e o gesto em revelação íntima.

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