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Exposicions

O movimento perpétuo do muro: os anos cinquenta que redefiniram Antoni Tàpies

O Museu Tàpies revisita quatro exposições fundamentais para compreender a consolidação da linguagem material do artista e seu percurso rumo ao reconhecimento internacional.

O movimento perpétuo do muro: os anos cinquenta que redefiniram Antoni Tàpies

O Museu Tàpies convida os visitantes a mergulharem na década de 1950 com Antoni Tàpies. A exposição "O movimento perpétuo da parede" pode ser visitada até 6 de setembro. A proposta recupera um período decisivo na carreira do artista e o revisita com um olhar aprofundado, baseado em quatro exposições-chave que marcaram um ponto de virada na consolidação de sua linguagem artística.

Com curadoria de Imma Prieto e Pablo Allepuz, a exposição não se limita a apresentar obras, mas reconstrói momentos, um contexto específico, atmosferas e tensões. O percurso traça um itinerário que começa nas históricas Galerias Layetanas em Barcelona, continua na Galeria Stadler em Paris e culmina na lendária Sala Gaspar. Através desses espaços, o visitante pode compreender como a parede se torna muito mais do que um motivo formal: é matéria, superfície, limite e espaço para o pensamento. Nos anos cinquenta, a parede se torna a espinha dorsal de uma obra que transforma a pintura em um território de experimentação física e conceitual.

Esta exposição temporária dá continuidade à pesquisa iniciada com Antoni Tàpies. A imaginação do mundo , mas avança um passo além ao focar na parede como elemento indispensável em sua produção. Para Tàpies, a parede se conecta a reflexões profundas sobre gesto, tempo e o conceito de movimento, entendido como uma tensão constante entre matéria e espírito. A materialidade adquire uma presença marcante: areias, pigmentos, texturas e incisões constroem superfícies que apelam diretamente à percepção do espectador. A pintura deixa de ser uma janela para se tornar um corpo.

A exposição também recria a forma como essas obras foram apresentadas nos três espaços expositivos originais, estabelecendo um importante triângulo entre ateliê, rua e galeria de arte. Essa ligação permite compreender como a obra de Tàpies dialogava com o ambiente urbano e social, e como seu surgimento não ocorreu no vácuo, mas sim em um contexto cultural e político muito específico.

Nesse sentido, a exposição também levanta uma questão inevitável: como o espectador da década de 1950 via a arte? E como reagia às obras de Tàpies? A recepção não foi homogênea nem isenta de controvérsias. Na primeira exposição, em 1950, apenas Samaranch adquiriu uma obra, fato que demonstra a dificuldade de enquadrar aquela proposta radical no mercado e no gosto da época. Na segunda, a convivência com o Grupo R inseriu a obra num contexto de renovação arquitetônica e artística que ampliou os seus diálogos. E na Sala Gaspar, a aquisição de três obras pela Câmara Municipal transcendeu a esfera estritamente artística para se tornar um evento social de primeira ordem. Desse episódio, duas peças — Quatre quadrats grisos sobre fons marrò e Pintura ocre — estão hoje expostas no Museu Tàpies, transformadas em testemunhas materiais de um momento de debate público sobre o valor e o significado da arte contemporânea.

A década de 1950 revisitada pelo Museu Tàpies é essencial para a compreensão da evolução subsequente do artista. É durante esses anos que seu modo de criação se consolida e sua linguagem própria se define, tanto na esfera estritamente artística quanto na própria concepção do espaço expositivo. Longe de ser um período de transição, esses anos constituem a base sobre a qual Tàpies construirá uma obra que alcançará plena maturidade e amplo reconhecimento internacional.

A exposição reúne mais de cinquenta obras, acompanhadas de documentação diversa, provenientes de coleções públicas e privadas. Este conjunto permite uma reconstrução precisa do contexto criativo e institucional que envolveu essas primeiras exposições e oferece uma visão completa de um momento decisivo que marcaria o rumo definitivo de sua carreira.

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