O Museu de Pollença acolhe uma nova e excecional exposição dedicada ao jovem fotógrafo Javier Inés (1956-1991), uma das figuras mais singulares da fotografia espanhola do século XX. A exposição, que centra-se em obras inéditas, objetos pessoais e numa ambientação fiel à sua imaginação criativa, permite ao público mergulhar no universo underground e visceral que caracteriza a obra do artista.
Javier Inés consolidou seu nome nos círculos fotográficos mais inovadores antes dos Jogos Olímpicos de Barcelona de 1992, e sua carreira se destaca pela capacidade de capturar um olhar pessoal e inovador, marcado pela provocação e pela liberdade expressiva. Seu trabalho reflete uma sensibilidade intensa, e cada imagem funciona como um testemunho de seu tempo e de seu caráter único.

O legado do artista foi preservado por mais de vinte anos por seu companheiro, Juanjo Rotger, que cuidou com esmero do arquivo fotográfico e dos pertences pessoais de Javier Inés. Esse trabalho de conservação permitiu a recuperação de uma parte fundamental de sua obra, redescoberta pela galerista Rocío Santacruz e exibida internacionalmente em mostras na Paris Photo e na ARCO Madrid. Agora, após esse longo processo de preservação e recuperação, a obra retorna a Pollença, desta vez ao claustro do convento de Sant Domingo, onde é exposta em colaboração entre Rotger e o Museu de Pollença.
A exposição está organizada em diversas áreas que nos permitem explorar as diferentes fases e interesses criativos de Javier Inés. Há espaços dedicados ao balé, à fotomontagem e à sua experiência em Ibiza, bem como uma seção focada em Barcelona em cores, que retrata tanto a cidade pré-olímpica quanto a elite social e as figuras ilustres da época. Uma das áreas mais marcantes é também a dedicada à vida noturna de Barcelona, com imagens capturadas em locais lendários como o KGB e o Universal, tão conhecidos na era pós-moderna que caracterizou Barcelona antes dos Jogos Olímpicos, verdadeiros cenários de referência para a cultura alternativa dos anos oitenta.
