A abstração geométrica altamente espiritual e intelectual de Eugene J. Martin chega à Galeria Marc Domènech em Barcelona. Para esta exposição, a galeria reuniu uma seleção de obras representativas das décadas de 1970, 1980 e 1990: os desenhos ovais (1971–1973), os desenhos a lápis grafite (1977–1978), os desenhos a tinta com caneta de bambu (1982) e as colagens “heterocrônicas” (1993–1999). A mostra estará em cartaz de 10 de fevereiro a 13 de março.
A diversidade de técnicas — tinta, lápis, guache, aquarela e colagem — revela uma prática livre e intuitiva, onde o gesto respira sem restrições e a cor se desdobra com profunda sensibilidade, confirmando o talento da artista como criadora de ritmos, nuances e silêncios visuais.

Eugene J. Martin, Sem título, 1982, © Espólio de Eugene James Martin.
Eugene J. Martin é considerado uma figura fundamental na arte afro-americana do século XX. Seu trabalho integra importantes coleções, como as do Metropolitan Museum of Art, do Smithsonian American Art Museum e da Phillips Collection. Sua prática, contudo, está inserida na história da arte afro-americana do século XX, desde o Renascimento do Harlem até as lutas pelos direitos civis, que ele vivenciou em primeira mão — chegando a assistir ao discurso de Martin Luther King em 1963. Sua obra exala uma combinação singular de liberdade, ironia e uma persistente alegria de viver, capaz de florescer independentemente das condições materiais e de qualquer noção convencional de sucesso.
A justaposição de diversas mídias e combinações de significantes que sugerem naturezas-mortas em vez de representá-las fluem como múltiplas formas de expressão dentro da unidade harmônica das obras finalizadas.¹ Formas abstratas, que surgem da imaginação do artista, tornam-se quase o único fio condutor neste conjunto de obras, que abrange o período entre 1972 e 2003.

Eugene J. Martin, A Babá Sonolenta, 1997, © Espólio de Eugene James Martin.
A arte abstrata foi a grande aliada de Eugene James Martin: uma linguagem que não lhe impunha "nem restrições nem regras" e que lhe permitia mover-se com absoluta liberdade. Esta seleção traça um panorama de quarenta e dois anos de prática artística ininterrupta, durante os quais o artista permaneceu fiel a um único princípio orientador — a liberdade — até sua morte em 2005.
Para além das cores vibrantes e da natureza lúdica das formas abstratas, Eugene James Martin constrói, através dessas combinações singulares, uma visão profundamente pessoal do mundo. Sua carreira desenvolveu-se na solidão, à margem das escolas e correntes estabelecidas. Num contexto dominado pela Pop Art e pelo Minimalismo nos Estados Unidos, Martin manteve-se fiel à sua própria visão, sem jamais renunciar à sua linguagem ou atribuir uma vontade política explícita à sua obra.