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Exposicions

John Giorno, entre palavras e formas

John Giorno, entre palavras e formas
bonart mèxic d.f. - 01/09/26

A galeria kurimanzutto, na Cidade do México, apresenta John Giorno: A VIDA É UM ASSASSINO , a primeira grande exposição individual na cidade dedicada ao lendário artista, poeta e ativista americano John Giorno (1936–2019). A mostra reúne obras em tela e papel, murais, gravações de áudio, vídeos e performances ao vivo para explorar uma prática criativa na qual a linguagem se torna material visual, sonoro e performático.

A exposição ficará aberta até 24 de outubro de 2026, após sua inauguração em 29 de agosto, e retoma uma das ideias essenciais da carreira de Giorno: um poema não termina na página, mas adquire novas vidas e significados cada vez que é transformado em outro meio.

A frase "A VIDA É UMA ASSASSINA" , que dá título à exposição, reaparece ao longo da mostra em pinturas, gravações, performances e publicações. Mais do que uma simples expressão, ela funciona como uma demonstração de como Giorno entendia a linguagem: como um material aberto à repetição, transformação e reinterpretação.

Esse conceito atinge seu ápice em suas Pinturas-Poemas , uma série que o artista iniciou no final da década de 1980. Nessas obras, as palavras transcendem sua natureza puramente literária para se tornarem composições visuais de grande intensidade. Contrastes entre o preto e o branco e as cores do arco-íris transformam frases em imagens, enquanto as pinturas murais permitem que a linguagem ultrapasse os limites da tela e se estenda por toda a arquitetura da galeria.

Frases como A VIDA É UMA ASSASSINA , O ESPAÇO TE ESQUECE e TODOS FICAM MAIS LEVES adquirem novos significados por meio de mudanças de escala, cor e contexto. O poema, portanto, deixa de ser meramente algo para ser lido e se torna algo para ser contemplado, ocupando fisicamente um espaço.

O interesse de Giorno em expandir os limites da poesia estava intimamente ligado ao cenário artístico e literário de Nova York na segunda metade do século XX. Sua carreira manteve conexões com figuras importantes como Allen Ginsberg, William S. Burroughs e Andy Warhol, em um contexto no qual as fronteiras entre poesia, artes visuais, cultura popular e performance começavam a se diluir.

Seu compromisso de toda a vida com o budismo tibetano também teve uma influência decisiva, reforçando sua percepção da linguagem como algo capaz de se reinventar por meio da repetição, da escala, da cor e do contexto. Em sua obra, uma palavra nunca permanece completamente fixa: ela se transforma quando a perspectiva a partir da qual é vista muda.

A exposição inclui ainda uma seleção de serigrafias criadas entre o final da década de 1960 e o início da década de 1970, construídas a partir de manchetes de jornais, artigos de revistas e anúncios publicitários, juntamente com textos do próprio artista. Giorno transforma, assim, a linguagem da imprensa e da comunicação de massa em material poético, apropriando-se de imagens e palavras destinadas ao consumo cotidiano e conferindo-lhes uma nova dimensão.

Duas dessas obras retomam o formato de duas colunas que Giorno frequentemente utilizava. Essa disposição convida o leitor a ler os poemas em voz alta e destaca elementos essenciais de sua prática, como voz, ritmo, repetição e as diferentes camadas que um único texto pode adquirir.

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