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Exposicions

Linguagens materiais

Loana Flores explora, em La Capella, Barcelona, as possibilidades latentes dos biomateriais criados a partir de resíduos orgânicos.

Linguagens materiais
bonart barcelona - 17/08/26

A Capela de Barcelona acolhe Llenguatges materiales , um projeto da EART, um centro de mediação, educação e arte contemporânea que apresenta a pesquisa da designer e artista multidisciplinar Loana Flores. Com curadoria de Gisela Chillida, a exposição reúne uma constelação de biomateriais desenvolvidos a partir de resíduos orgânicos e materiais descartados, resultado de um processo de pesquisa iniciado em 2018 e concebido como um arquivo material em permanente expansão.

A proposta parte de uma pergunta aparentemente simples, mas de grande alcance: o que um material pode se tornar quando seu potencial máximo é realizado? Flores questiona as lógicas que determinam o que é valioso e o que é descartável, propondo uma abordagem aos materiais baseada na observação, na escuta e na experimentação. O que geralmente fica de fora dos circuitos de produção pode, assim, se tornar uma fonte de novas formas, texturas, estruturas e usos.

A exposição Material Languages pode ser visitada no La Capella, em Barcelona, até 6 de setembro de 2026. A mostra centra-se em pesquisas que compreendem os materiais como elementos vivos e em constante transformação, capazes de abrir possibilidades que vão além dos usos para os quais foram concebidos.

Sua prática se concentra na investigação de biomateriais e, especialmente, nas possibilidades oferecidas por materiais de origem orgânica. Em vez de partir de um resultado predeterminado, o artista trabalha por meio de processos abertos, ensaios e testes que podem se desenvolver ao longo de diferentes períodos de tempo. Cada experimento permite a descoberta de novas propriedades e comportamentos da matéria, deslocando a fronteira entre resíduo e recurso.

Resíduos orgânicos, técnicas de biodesign, fabricação digital e conhecimento artesanal coexistem em uma metodologia que altera o estado dos materiais para revelar suas capacidades, muitas vezes ocultas. Um pigmento pode surgir de uma folha, uma superfície pode emergir de uma fibra, e uma estrutura inesperada pode ser o resultado de uma combinação imprevista ou mesmo de um erro. Nesse sentido, o processo não é apenas uma ferramenta para se chegar a uma peça final, mas uma forma de conhecimento.

A formação têxtil de Flores também desempenha um papel central nesta pesquisa. A artista incorpora materiais não convencionais em procedimentos como fiação, impressão e tecelagem, estabelecendo um diálogo entre práticas tradicionais e formas contemporâneas de experimentação. As peças resultantes questionam a ideia de materiais como elementos passivos e os compreendem como agentes capazes de intervir em processos de transformação.

Essa perspectiva se conecta com os novos materialismos e o pensamento ecofeminista, que propõem uma mudança na relação com a matéria, da dominação para a interdependência. Na obra de Flores, os materiais não são simplesmente objetos que podem ser manipulados, mas participantes de uma rede de relações entre substâncias, territórios, corpos e tempo.

Cada biomaterial preserva, portanto, uma espécie de biografia própria: a memória dos elementos que o moldaram, dos processos a que foi submetido e dos encontros que modificaram seu estado. Linguagens Materiais propõe, assim, uma visão da matéria que não se limita à sua aparência ou função, mas também considera as possibilidades que emergem quando lhe é dado tempo para se transformar.

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