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Jujuy inaugura o Centro Cultural Lola Mora, obra monumental de César Pelli

Jujuy inaugura o Centro Cultural Lola Mora, obra monumental de César Pelli
bonart jujuy - 06/07/26

Desde 2 de julho, Jujuy adicionou uma das obras arquitetônicas mais singulares da Argentina à sua paisagem cultural: o Centro Cultural Lola Mora, um espaço projetado por César Pelli que combina patrimônio histórico, arte contemporânea, sustentabilidade e um forte compromisso com a promoção do turismo na província. O novo complexo, localizado em um cenário privilegiado nas Yungas de Jujuy, abriga seis esculturas restauradas de Lola Mora e funciona como um centro dinâmico para exposições, eventos ao vivo e programas educativos.

A inauguração oficial foi conduzida pelo governador Carlos Sadir, que apresentou o edifício como um novo polo de programação cultural, concebido não apenas como um museu, mas também como uma plataforma para a convergência das artes, da educação e da paisagem. O centro conta com salas de exposições, auditórios e espaços educativos, e sua programação combinará exposições, atividades artísticas e oportunidades de formação. Como gesto de abertura à comunidade, a entrada foi gratuita para os moradores de Jujuy até 9 de julho.

Mas o Centro Cultural Lola Mora não se destaca apenas pela sua função. Sua arquitetura já o torna um ícone. O projeto foi concebido por César Pelli a partir de uma poderosa ideia simbólica: recriar a forma do cinzel do escultor. O percurso começa no que seria o "cabo" dessa ferramenta, uma longa ponte de acesso que leva a uma estrutura que se desdobra como um leque sobre a vegetação e parece flutuar sobre a floresta nublada de Yungas. A sensação de suspensão é reforçada por uma impressionante fachada de vidro de 1.565 metros quadrados, composta por painéis de até nove metros de altura feitos de vidro isento de ferro, garantindo transparência absoluta. Segundo os envolvidos no projeto, essa decisão surgiu de um desejo expresso de Pelli: que nada interferisse na vista do céu de Jujuy.

Os aspectos técnicos do projeto também são notáveis. As dificuldades na importação e no transporte desses materiais de grande porte agora fazem parte da história da construção. No entanto, o resultado final mantém coerentemente o conceito original: um volume leve e arejado, aberto para a paisagem e profundamente conectado ao ambiente natural.

A este caráter singular soma-se uma ambição ambiental raramente vista em edifícios culturais desta escala. O centro foi concebido como um centro Net Zero, o que significa que tem potencial para funcionar fora da rede elétrica. Tanto o telhado como o piso exterior incorporam painéis solares transitáveis, enquanto uma estrutura que à primeira vista pode ser confundida com uma torre sineira é, na verdade, uma turbina eólica de 30 metros de altura. A escolha dos materiais também reforça a ligação com a paisagem envolvente: o piso interior em madeira de palo blanco, o revestimento exterior em pedra talhada à mão e o tratamento acústico em PET reciclado e madeira escura de Pacará criam uma atmosfera onde o design, a sustentabilidade e a paisagem se integram organicamente.

A figura que dá nome ao centro é, sem dúvida, uma das artistas mais extraordinárias da história argentina. Lola Mora nasceu em 1866 em Trancas, na divisa entre Salta e Tucumán. Inicialmente, formou-se em San Miguel de Tucumán, onde estudou desenho e pintura, e logo começou a se destacar por seu talento. Esse reconhecimento precoce lhe rendeu uma importante encomenda oficial: a província adquiriu uma série de vinte e um retratos de governadores, uma primeira conquista que lhe permitiu obter reconhecimento em Buenos Aires.

Ali, ela tomou uma decisão ousada para a sua época: abandonar a pintura e dedicar-se à escultura, uma disciplina praticamente proibida às mulheres no final do século XIX. Graças a uma bolsa de estudos, viajou para Roma, onde foi admitida, ainda que com alguma relutância, no ateliê de Paolo Michetti. Na Itália, entrou em contato com o homem que se tornaria seu verdadeiro mentor, o escultor Giulio Monteverde, figura central em sua formação e no desenvolvimento de uma obra que desafiou os limites impostos por sua época.

A ligação entre Lola Mora e Jujuy não é mera coincidência. A artista trabalhou na província como funcionária pública no departamento de planejamento urbano, e suas esculturas foram instaladas na Casa do Governo. Desde então, essas peças tornaram-se parte do patrimônio de Jujuy. Hoje, restauradas e reunidas neste novo centro cultural, elas encontram um espaço especialmente projetado para sua preservação e exibição, em um edifício que não só as protege, mas também dialoga com seu legado por meio da escala, dos materiais e da expressão criativa.

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