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As artes visuais reivindicam a cultura como motor da saúde democrática.

A primeira sessão plenária do Sistema Público de Equipamentos de Artes Visuais reúne cerca de oitenta profissionais para refletir sobre os direitos culturais, a mediação artística e o futuro de uma rede que pretende fortalecer a criação contemporânea em toda a Catalunha.

As artes visuais reivindicam a cultura como motor da saúde democrática.
bonart barcelona - 30/06/26

A primeira Plenária do Sistema Público de Espaços para Artes Visuais (SPEAV) marcou um ponto de virada na consolidação de uma rede que aspira fortalecer o papel das artes visuais contemporâneas como ferramenta de transformação social. Realizado no Auditório do Convento do MACBA, o encontro reuniu cerca de oitenta representantes de espaços, centros criativos, fundações, galerias e associações profissionais em um dia dedicado a repensar o papel da cultura em um contexto de crescentes desafios sociais e democráticos.

Sob o lema " Princípios Ativos. Cultura e direitos para a saúde democrática" , a plenária, promovida pelo Departamento de Cultura através da Direção-Geral de Direitos Culturais, Criação e Bibliotecas, colocou no centro do debate duas questões indissociáveis: os direitos culturais como direitos fundamentais da cidadania e a contribuição das artes visuais para o bem-estar individual, coletivo e comunitário.

Na inauguração, a Ministra da Cultura, Sònia Hernández, defendeu as artes visuais como "uma ferramenta essencial para compreender e transformar o mundo", destacando que a SPEAV representa um instrumento estratégico para garantir o acesso universal à cultura e avançar rumo a um modelo mais equilibrado territorialmente. Segundo Hernández, a rede vive "um momento de crescimento e maturidade", e a realização desta primeira sessão plenária simboliza a vontade de fortalecer os laços entre instituições e profissionais do setor.

A conferência, liderada pelo diretor-geral de Direitos Culturais, Criação e Bibliotecas, Xavier Fina, foi estruturada em dois grandes blocos de debate que interligaram práticas artísticas, pesquisa, educação e comunidade.

O primeiro espaço de reflexão abordou as conexões entre artes visuais e saúde comunitária. O professor e pesquisador Sergi Blancafort e a médica de família Montserrat Verdú Arnal apresentaram o projeto Intra-ações , uma iniciativa desenvolvida em conjunto pelo CAP Poblenou, o Instituto Maria Espinalt e La Escocesa, que explora novas formas de colaboração entre criação artística, educação e saúde pública. A proposta exemplifica como os processos criativos podem se tornar espaços de participação, cuidado e coesão social.

A perspectiva dos criadores ganhou destaque em uma conversa moderada pelo gestor cultural José Antonio Delgado, com contribuições da artista e professora Gemma París e de Felipe G. Gil, fundador da Zemos98. Os participantes destacaram o potencial das práticas artísticas para gerar processos de mediação cultural capazes de desenvolver o pensamento crítico, fomentar a participação cidadã e fortalecer o compromisso coletivo.

O segundo bloco aprofundou-se na dimensão dos direitos culturais. Javier Rodrigo, pesquisador e codiretor da Transductores, e o artista Quim Packard compartilharam experiências que demonstram como a mediação artística pode se tornar uma ferramenta eficaz para o trabalho comunitário e a inclusão.

Em seguida, a curadora Amanda Cuesta moderou uma conversa com Nerea Campo e Mar Sureda sobre os obstáculos que ainda dificultam o exercício dos direitos culturais, especialmente em ambientes rurais e entre grupos minoritários. As participantes concordaram em destacar que o acesso à cultura constitui um indicador de qualidade democrática e uma condição indispensável para a construção de sociedades mais igualitárias.

Um dos pontos altos da sessão plenária foi a apresentação das novas Escalas Profissionais, elaboradas pelo Departamento de Cultura, pela curadora e crítica Montse Badia. O relatório estabelece critérios orientadores para melhorar as condições de contratação de profissionais das artes visuais, promover maior transparência nas relações laborais e contribuir para a sustentabilidade de um setor que frequentemente denuncia a precariedade das suas condições de trabalho.

Para além do debate, o encontro serviu também para consolidar a identidade do Sistema Público de Espaços de Artes Visuais, uma estrutura que articula os principais centros públicos dedicados à arte contemporânea na Catalunha. O MACBA funciona como seu centro de referência, acompanhado pelos oito principais centros territoriais — ACVIC, Bòlit, Centro de Arte Contemporânea La Fabra, M|A|C Mataró Art Contemporani, Mèdol, Centro de Arte La Panera, Lo Pati e Tecla Sala — bem como por uma extensa rede de mais de vinte espaços locais distribuídos por todo o território.

O objetivo do sistema é fortalecer a cooperação entre as instituições, compartilhar recursos, promover programação conjunta e garantir uma oferta artística contemporânea mais acessível e territorialmente equilibrada. Em suma, uma rede concebida para transformar a cultura em um direito efetivo e não apenas em uma oportunidade isolada.

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