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Exposicions

Memórias em disputa: cinema, território e revolução na América Central

Memórias em disputa: cinema, território e revolução na América Central
bonart madrid - 10/06/26

A série organizada no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (MNCARS), com curadoria de Alonso Aguilar, em colaboração com o Instituto Cáder de Arte Centroamericano (ICAC), propõe uma leitura em três partes do cinema político produzido na América Central durante as décadas de 1960, 1970 e 1980. Mais do que uma retrospectiva, o programa funciona como um instrumento crítico que articula uma releitura das imagens a partir de suas condições materiais de produção, suas tensões históricas e seu poder político ainda presente.

A exposição está estruturada em torno de três programas que traçam um arco narrativo e conceitual: das economias rurais e suas formas de resistência à insurgência armada e suas visões de transformação social. A primeira seção concentra-se na base territorial, explorando os espectros da exploração agrícola e a resistência emergente do mundo camponês. A segunda desloca o foco para o corpo como um espaço de conflito, onde a violência patriarcal e estatal é expressa e confrontada por meio de linguagens formais e políticas dissidentes. A terceira culmina em uma dimensão épica, atravessando fronteiras geográficas e narrativas, incorporando as experiências da luta armada e a promessa, muitas vezes frustrada, da revolução.

Longe de ser uma abordagem arqueológica ou meramente arquivística, a proposta busca reavivar conversas interrompidas sobre como essas imagens contribuíram para a construção de formas de organização coletiva, aspirações políticas e consciência histórica na região. Os filmes não são apresentados como documentos fechados, mas como materiais vivos que possibilitam um diálogo ativo entre passado e presente.

A série também revisita criticamente o conceito de "república das bananas", um termo pejorativo que surgiu no início do século XX para descrever os países da América Central marcados pela dependência econômica, instabilidade política e forte influência do capital estrangeiro, particularmente de corporações estadunidenses como a United Fruit Company. Em resposta a esse rótulo, o cinema político centro-americano da época apropriou-se do estigma para desafiá-lo e subvertê-lo, reivindicando seu próprio lugar dentro das narrativas globais de emancipação e anticolonialismo.

Nesse contexto, diversas instituições, coletivos e cineastas independentes — tanto dentro quanto fora da região — promoveram a produção audiovisual profundamente conectada aos seus entornos imediatos e ao clima internacional de lutas anti-imperialistas. Entre eles, destacam-se o Departamento de Cinema de Honduras, seu equivalente na Costa Rica, o INCINE na Nicarágua, o Grupo de Cinema Experimental Universitário do Panamá, o Instituto de Cinema da Guatemala e coletivos em El Salvador, como o Taller de los Vagos, o Cero a la Izquierda e o Sistema de Rádio Venceremos.

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