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Exposicions

Dmitry Sirotkin traz 'Filtrations' para Girona, um olhar crítico sobre a violência e o destino da humanidade.

A Casa da Cultura acolhe, até 10 de janeiro, a exposição do fotógrafo russo, uma instalação simbólica que reflete sobre o poder, a memória histórica e os riscos do progresso tecnológico.

Dmitry Sirotkin traz 'Filtrations' para Girona, um olhar crítico sobre a violência e o destino da humanidade.
bonart girona - 02/01/26

O artista e fotógrafo russo Dmitry Sirotkin, de reconhecimento internacional e estreita ligação com o Museu Hermitage, criou a nova exposição Filtrations na Casa de Cultura de Girona. A mostra propõe uma intensa reflexão visual sobre a violência, as dinâmicas de poder e o destino da humanidade através de uma linguagem fotográfica contundente e simbólica. Organizada pela Casa de Cultura da Diputació de Girona com a colaboração da Fundação Fita, a exposição temporária pode ser visitada até 10 de janeiro.

O projeto que o artista apresenta sob o título Filtrations propõe uma profunda reflexão sobre as ambições eternas do ser humano e os impulsos de dominação que, ao longo da história, se reproduzem de forma cíclica. Quando a tragédia é percebida como distante, tende a nos parecer estranha; mas quando o conflito se aproxima, a tênue linha que separa o presente das catástrofes do passado se rompe.

A proposta é também uma reflexão sobre a violência, entendida como um elemento inseparável da condição humana, que repetidamente levou ao desaparecimento de civilizações e impulsionou a humanidade rumo à sua própria destruição.

A instalação constrói um universo visual no qual coexistem a imagem de um museu em repouso, fósforos queimados e vestígios arquitetônicos de impérios desaparecidos. O teto, decorado com molduras barrocas, parece inchar e gotejar água que flui para cápsulas escuras. Das camadas de gesso e cal, emergem fragmentos de gravuras, como se fossem mofo ou fantasmas de antigos afrescos, evocando as guerras coloniais de Alexandre, o Grande. Sobre a mesa onde a água cai, os mapas geográficos se tornam difusos e imprecisos: países, cidades e cenas de batalha se confundem e perdem seus contornos, dissolvendo quaisquer fronteiras definidas.

Em paralelo, o projeto aponta para uma segunda espiral, ainda mais acelerada: a do desenvolvimento tecnológico, que hoje coloca em risco a própria sobrevivência do planeta. Através de sua obra, Sirotkin levanta questões incômodas, porém necessárias: é razoável continuarmos a ceder às nossas próprias ambições? Somos capazes de nos deter antes de chegarmos à autodestruição? Ou a violência e a agressão fazem parte da natureza humana de forma tão arraigada que é impossível romper esse ciclo repetitivo?

A história nos lembra que até mesmo os impérios mais poderosos acabaram por ruir, cegos pela vontade de dominar e acumular riquezas. Diante desse precedente, a pergunta que permanece é: a humanidade aprendeu algo com o passado? Evoluímos de fato se continuamos incapazes de superar as mesmas fragilidades?

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