2026 chega repleto de ofertas culturais do mundo todo e promete ser um ano particularmente atraente para os amantes da arte e da cultura. Esta é uma seleção criteriosa do melhor que o cenário artístico internacional tem a oferecer, um conjunto de experiências que, por si só, justificam arrumar as malas e viajar.
De grandes retrospectivas dedicadas a mestres incontestáveis como Rafael ou Matisse, a bienais que transformam cidades inteiras em autênticos palcos criativos, até exposições de moda primorosamente selecionadas, convidamos você a descobrir as exposições essenciais que marcarão a agenda cultural global deste ano e que definirão o pulso artístico de 2026.
Rafael: Poesia Sublime, no Museu Metropolitano de Arte
Quem realmente merece o título de um dos maiores artistas de todos os tempos? Muitas vezes pensamos em nomes como Frida Kahlo, Vincent van Gogh ou Pablo Picasso, mas Rafael — Raffaello Sanzio da Urbino —, um pintor e arquiteto fundamental do Renascimento italiano, ocupa inquestionavelmente um lugar de honra nesse panteão.
Na primavera, o Metropolitan Museum of Art inaugurará uma grande retrospectiva que reunirá mais de 200 obras, incluindo desenhos, pinturas, tapeçarias e artes decorativas. A exposição combinará peças emblemáticas, como A Madona Branca, um exemplo magistral da harmonia e beleza clássicas que definem a obra de Rafael, com obras menos conhecidas provenientes de empréstimos excepcionais de instituições de todo o mundo.
De 29 de março a 28 de junho de 2026
A exposição "Jazz de Matisse: Ritmos em Cores", no Instituto de Arte de Chicago.
À primeira vista, o papel recortado pode parecer um material menos nobre do que a pintura ou o desenho, mas foi precisamente esse recurso que Henri Matisse transformou em linguagem artística após uma dolorosa cirurgia abdominal que o impediu de voltar a segurar um pincel. A partir dessa limitação física, o artista abriu uma nova etapa criativa de surpreendente liberdade e força.

Fotografia: 2025 Succession H. Matisse / Artists Rights Society (ARS), Nova Iorque.
O projeto Jazz consiste em vinte maquetes feitas de recortes de papel, inspiradas em memórias de casas de espetáculos parisienses, viagens ao Taiti, contos populares, o mundo do circo e mitologia. Reproduzidas em 1947 utilizando a técnica de stergit, deram origem a um livro revolucionário, acompanhado de textos escritos pelo próprio Matisse. Agora, o Instituto de Arte de Chicago apresenta Jazz na íntegra pela primeira vez desde que a obra entrou para o acervo do museu em 1948.
De 7 de março a 1 de junho de 2026
Os anos 90, na Tate Britain
Após uma programação fortemente focada na década de 1980 em 2025, as galerias Tate avançam uma década e concentram-se na década de 1990 em 2026. No outono, será inaugurada uma grande exposição dedicada à arte, moda, fotografia e cultura pop britânicas desses anos, com curadoria de Edward Enninful OBE, ex-editor da Vogue britânica.
A exposição promete uma viagem vibrante por uma década icônica, com fotografias marcantes de David Sims, Corinne Day e Juergen Teller; criações lendárias de Alexander McQueen e Vivienne Westwood; e obras de artistas como Yinka Shonibare, Gillian Wearing e Damien Hirst, nomes fundamentais para a compreensão do espírito e das tensões criativas dos anos noventa no Reino Unido.
De 1 de outubro de 2026 a 14 de fevereiro de 2027
Histórias de ecologia, no Museu de Arte de São Paulo (MASP)
Coincidindo no tempo — embora não como consequência direta — com a celebração da COP30 no Brasil em 2025, esta exposição no luminoso Museu de Arte de São Paulo propõe uma reflexão ampla e ambiciosa sobre o conceito de ecologia. Ela o faz por meio de obras não apenas de artistas, mas também de ativistas e movimentos sociais inteiros, expandindo assim os limites usuais do discurso artístico.
Para além de uma visão restrita associada apenas à natureza, o termo "ecologia" é aqui utilizado para sublinhar a interdependência entre o mundo natural e as sociedades humanas. As 116 obras reunidas — na sua maioria de criadores do Sul Global — enfatizam a necessidade urgente de uma resposta coordenada e coletiva, à escala planetária, ao desafio das alterações climáticas.
Até 1º de fevereiro de 2026
Edvard Munch – Retratos, no Kunstsilo
Longe da imagem difundida de um gênio solitário e atormentado, Edvard Munch — o pintor norueguês universalmente associado à perturbadora obra O Grito — manteve uma rica e diversificada rede social ao longo de sua vida, composta por familiares, amigos, intelectuais e outros artistas. Esse ambiente humano tornou-se uma fonte constante de inspiração que Munch capturou intensamente em seus retratos.

Esta exposição centra-se nesses retratos, nas pessoas neles retratadas e na influência que exerceram na evolução artística de Munch. Adaptada da exposição inicialmente apresentada na National Portrait Gallery, em Londres, a proposta do Kunstsilo é enriquecida com obras da coleção pessoal de Munch e com pinturas pouco conhecidas, com o objetivo de resgatar uma faceta da sua carreira que muitas vezes é pouco divulgada.
De 5 de fevereiro a 10 de maio de 2026
Guerreiros de Terracota em Perth: Legado do Primeiro Imperador, no Museu Boola Bardip da Austrália Ocidental
Os Guerreiros de Terracota da Dinastia Qin são, juntamente com a Grande Muralha, um dos maiores tesouros culturais da China. Na maior exposição já realizada na Austrália Ocidental, o Museu Boola Bardip da Austrália Ocidental apresentará oito das 8.000 estatuetas originais – que têm 2.000 anos, mas só foram descobertas em 1974 por agricultores.
Oito peças podem não parecer muitas, mas a China permite o empréstimo de no máximo 10 peças por vez. A presença delas, juntamente com mais de 200 outros artefatos antigos — metade dos quais nunca saiu da China — torna esta exposição uma experiência excepcional e única.
Até 22 de fevereiro de 2026

Botero: o cerne do volume, no Teatro IMBA
Uma visita aos Jardins da Baía, com sua coleção espetacular de mais de 1,5 milhão de plantas, já é uma experiência imersiva, mas o Parque Marítimo de Singapura em breve adicionará um novo espaço cultural: o Teatro IMBA, que abrirá suas portas em janeiro de 2026.
A primeira exposição a ser apresentada será Botero: o coração do volume, dedicada às ilustrações do famoso artista colombiano. Conhecido pelo uso exuberante da cor, pelos contornos generosos e pelo humor característico, Botero terá suas obras expostas tanto dentro da galeria quanto nos espaços externos, oferecendo uma experiência que combina arte e paisagem de forma singular.
A partir do início de 2026
2026: um ano para reivindicar artistas mulheres, diversidade e grandes mestres na Espanha.
A temporada de exposições de 2026 na Espanha promete uma fascinante viagem pela história da arte e cultura contemporâneas. Uma das linhas mais marcantes é a valorização de figuras femininas esquecidas, como a artista Aurèlia Muñoz — com uma exposição dupla no Reina Sofía e no MACBA — ou a romancista Mercè Rodoreda no CCCB, assim como a escultora americana Ruth Asawa no Guggenheim Bilbao.
Destaca-se também o compromisso com as vozes do Sul Global, com exposições no IVAM de Tania Candiani e Regina de Miguel, ou no Museu Tàpies da sul-africana Penny Siopis, bem como projetos no Reina Sofía de Andrea Canepa e Alberto Greco.

Jasper Johns: Motorista Noturno, 29/05/2026 - 12/10/2026.
Os clássicos também estão presentes, com exposições como a de Rubens no MuBAV, a do românico de Sant Pere de Rodes e Mestre Cabestany no MNAC, e exposições dedicadas a Antonio Palomino ou Isabel de Farnesio. Entre os modernos, podemos mencionar Jasper Johns no Guggenheim Bilbao, a série de arte contemporânea valenciana “Tiempos modernos” no MuBAV e o pré-rafaelismo feminino na Fundação Mapfre.
As coleções dos museus também brilham: o MACBA celebra seu 30º aniversário com “Como uma Dança de Estorninhos”, enquanto o MNAC exibe os fundos confiscados pelo regime franquista para destacar o patrimônio recuperado.
Por fim, a fotografia ocupa um lugar de destaque com Helen Levitt e Richard Avedon em Madrid, e em Barcelona o KBr está programando exposições de Walker Evans e Minor White, revisitando a história da fotografia americana do século XX.