A imaginação pode ser tanto uma porta de entrada para a salvação quanto o palco de nossas próprias ansiedades. É nesse território ambíguo que se situa Anteparaíso , a nova exposição de Carlos Amorales na galeria kurimanzutto, na Cidade do México. A exposição estará em cartaz de 5 de novembro a 16 de dezembro de 2026. Por meio de uma coleção de desenhos e animações, o artista mexicano propõe um universo de personagens imaginários cujas relações e movimentos articulam uma narrativa visual aberta a múltiplas interpretações.
Com uma carreira marcada pela experimentação multidisciplinar, Amorales desenvolveu uma linguagem singular que mescla processos analógicos e digitais. Desenho, animação, instalação e pesquisa gráfica são algumas das ferramentas que utiliza para construir mundos ficcionais que servem como espaços de reflexão sobre as transformações da sociedade contemporânea. Suas obras exploram estruturas de poder, tensões culturais e os mecanismos que determinam nossa relação com a tecnologia, questionando os limites entre a criatividade humana e os sistemas de produção artificiais.
O título da exposição alude à coletânea de poemas Anteparaíso (1982), do escritor chileno Raúl Zurita, obra que evoca um lugar situado antes do paraíso, uma condição que precede a promessa de plenitude. Essa referência literária serve como ponto de partida para uma proposta que oscila entre o fascínio e a incerteza. Amorales toma a inteligência artificial como um de seus principais eixos de reflexão e examina o imaginário que se construiu em torno dela: da expectativa de um futuro libertador às visões mais inquietantes e apocalípticas que acompanham seu desenvolvimento.
Os personagens que habitam esse cenário não são meras figuras de uma ficção visual, mas elementos de uma narrativa que nos permite abordar as contradições do nosso presente. Suas interações, desdobradas por meio de sequências gráficas e animadas, configuram um espaço onde a tecnologia surge simultaneamente como promessa e ameaça. Em vez de oferecer respostas definitivas, o artista levanta uma série de questões sobre o que estamos dispostos a delegar às máquinas e sobre as consequências culturais, sociais e simbólicas dessa transformação.