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Exposicions

Saul Hamett faz fantasmas florescerem sob a névoa.

Imágenes: Cortesía de Sauul hamett
Saul Hamett faz fantasmas florescerem sob a névoa.
bonart mèxic d.f. - 16/09/26

Nas proximidades de Tempiluli, uma área natural protegida com remanescentes lacustres localizada no bairro de Tláhuac, a paisagem urbana da Cidade do México oscila entre a transformação e a permanência. É também o território onde Sauul Hamett (Cidade do México, 1998) cresceu, cuja experiência pessoal se torna o ponto de partida para Sob a Névoa, Fantasmas Florescem , uma instalação que pode ser visitada no Museu Universitário del Chopo até 20 de setembro de 2026.

A obra surge das andanças do artista por este ambiente familiar e da coleta de vestígios materiais encontrados na área, desde entulho e fragmentos de construção até elementos da própria natureza. Esses materiais funcionam como traços de uma paisagem submetida a constantes processos de construção, demolição e reconfiguração. Essa dinâmica se intensificou com as transformações ligadas à construção da Linha 12 do Metrô, que transformou certas áreas em depósitos ilegais de entulho e assentamentos informais.

A partir desses fragmentos, Hamett constrói uma reflexão sobre o desejo por um espaço próprio e como esse anseio se cruza com processos sistemáticos de desapropriação e transformação territorial. Na região, a autoconstrução tornou-se frequentemente uma estratégia para acessar moradia e conquistar esse "lugar" próprio. No entanto, muitas dessas construções permanecem inacabadas ou acabam se deteriorando, suspensas em uma espécie de limbo entre a promessa inicial e a impossibilidade de cumpri-la.

É precisamente nesse espaço nebuloso que a instalação se situa. Hamett constrói uma presença urbana fantasmagórica, leve e frágil, que parece oscilar entre a realidade do que resta e a nostalgia por um futuro que nunca se materializou. Os materiais recuperados deixam de ser meros vestígios e tornam-se testemunhos de uma geografia urbana sujeita a ciclos contínuos de destruição e reconstrução.

O artista propõe imaginar essa paisagem como um organismo capaz de integrar natureza e escombros em um único ciclo. Disso surgem os "fantasmas florescentes" que dão título ao projeto: formas de vida e memória que persistem sob uma superfície aparentemente devastada. A instalação não oferece uma esperança ingênua, mas sim uma esperança crítica, entendida como um equilíbrio entre otimismo e a capacidade de analisar as condições que tornam possível — ou impedem — imaginar um futuro diferente.

A frase do escritor japonês Sui Ishida, "Você não pode construir nuvens. E é por isso que o futuro com que você sonha nunca se torna realidade", extraída de Tokyo Ghoul (2011), serve como uma das chaves poéticas do projeto. Diante da impossibilidade de materializar certos sonhos, Hamett trabalha com o que resta: fragmentos, ruínas, natureza e memórias que lhe permitem reconstruir outra imagem do território.

Com curadoria de Karol Wolley Reyes, a proposta faz parte de El gabinete (O Gabinete), um programa do Museo Universitario del Chopo (Museu da Universidade Chopo) concebido para acolher e promover projetos expositivos de artistas em formação, recém-formados, coletivos independentes e gerações emergentes. O projeto de Hamett surgiu de uma análise de portfólio realizada pela equipe curatorial em novembro passado na Faculdade de Artes e Design da UNAM (Universidade Nacional Autônoma do México), campus de Taxco, com o apoio do Programa de Atividades Especiais de Cooperação Interinstitucional (PAECI).

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