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Exposicions

Beatriz Olano abre o espaço para dentro.

Beatriz Olano abre o espaço para dentro.
bonart bogotà - 06/09/26

Olhar para dentro também pode ser uma forma de expandir o espaço. Na obra de Beatriz Olano, a tela não é um limite definitivo, mas sim um território que pode se estender, se transformar e estabelecer novas relações com o lugar que a contém. Essa ideia permeia *Al interior* (Dentro) , a exposição que a artista apresenta no Espacio Nueveochenta, em Bogotá, entre 3 de setembro e 10 de outubro de 2026.

A proposta surge de uma observação meticulosa do espaço expositivo e da relação que cada obra estabelece com a arquitetura circundante. Olano não concebe as suas peças como elementos isolados, mas sim como partes de um todo em que a pintura e o espaço estão em constante diálogo. O interior da pintura torna-se, assim, um campo de exploração onde linhas, formas e cores constroem relações que podem estender-se para além dos limites convencionais da obra.

Um dos aspectos fundamentais do interior da Al reside precisamente nesse desejo de transbordar a tela. Certas composições transferem suas linhas e campos cromáticos para as paredes da galeria, modificando visualmente o espaço e alterando a percepção do local. A arquitetura deixa de ser um mero receptáculo e torna-se parte ativa da experiência artística.

Essa transição entre obra de arte e espaço permite a Olano investigar o que acontece dentro da própria pintura. Cada elemento estabelece conexões com os outros, gerando novas áreas de leitura, caminhos visuais e possibilidades de interpretação. A pintura deixa de funcionar como uma superfície fechada e se torna uma estrutura aberta, capaz de expandir e transformar seu entorno.

Mas o conceito de interior também assume uma dimensão íntima. A exposição pode ser entendida como uma exploração do próprio processo criativo do artista, aquele território menos visível onde a intuição, a percepção e as decisões que precedem cada obra entram em jogo. Olhar para o interior da pintura significa também olhar para o interior do seu criador.

Nesse sentido, Al interior apresenta um exercício de introspecção que permite a Olano reexaminar sua própria prática artística. As obras funcionam como espaços de exploração onde o racional e o intuitivo coexistem, enquanto a expansão de suas formas para a arquitetura externaliza um processo que inicialmente ocorre dentro da tela.

A exposição propõe, em última análise, abrir e expandir diferentes tipos de interiores: o da pintura, o da arquitetura e o da própria artista. Ao fazê-lo, gera novas áreas que podem ser exploradas visualmente e que modificam nossa relação com a obra. O espaço não termina mais onde a pintura termina; ele começa, precisamente, onde seus limites deixam de ser evidentes.

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