O Centro de Artes Contemporâneas ACVIC inaugura no dia 4 de setembro a exposição Escollir l'amor , de Maria Permanyer, inspirada na experiência compartilhada com Marc Lloret durante os últimos anos de vida do músico. A exposição, que pode ser visitada até 9 de outubro, surge como uma homenagem íntima ao cofundador do Mishima e como uma reflexão sobre o amor, a morte, o luto e a capacidade da memória de manter viva uma presença.
O projeto nasceu de uma decisão compartilhada. Quando Marc Lloret foi diagnosticado com câncer, o casal decidiu enfrentar o processo com amor. Essa escolha marcou os últimos três anos de sua vida juntos e está no centro de uma exposição que não entende o luto apenas como uma experiência de perda, mas também como um espaço para recordar, criar e dar continuidade a um vínculo.
Escolher o amor é, nesse sentido, um projeto escrito e vivido em conjunto. Permanyer também recupera algumas das criações literárias e musicais de Marc Lloret que nunca viram a luz do dia, incorporando-as a uma jornada na qual sua voz continua presente. A música, que foi parte essencial da vida do músico e da história compartilhada do casal, acompanha o visitante onde palavras e imagens já não bastam.
A exposição combina fotografias e textos de Maria Permanyer Bailac com textos, áudios e música de Marc Lloret Isiegas. A mostra também inclui música de Lucía Fumero, Joan Garriga, Maestro Espada, Mishima, Robe Iniesta e Los Toreros Muertos, além de peças criadas por Marc Lloret com Dani Vega e Pau Vallvé. A este conjunto somam-se os textos de Francesc Torralba, Rainer Maria Rilke e Viktor E. Frank, que ampliam a reflexão sobre o amor, a perda e a condição humana.
Para além da homenagem pessoal, a proposta levanta uma questão universal: o que resta de uma pessoa quando ela já não está presente? Nesse espaço de memória, palavras, canções, fotografias, lembranças e obras adquirem uma nova dimensão. Deixam de ser meros testemunhos de um passado comum e tornam-se formas de presença capazes de manter um diálogo ativo com aqueles que se foram.
A exposição evita separar radicalmente o amor da morte. Pelo contrário, coloca-os no mesmo território emocional, em que amar significa também preservar, recordar e valorizar o que foi vivido. O luto surge, assim, como um processo que transforma memórias e modifica a forma como habitamos o tempo, mas que também pode abrir espaços para a criação.
Através da combinação de fotografia, literatura e música, Maria Permanyer constrói uma narrativa que parte de uma experiência profundamente pessoal para chegar a uma reflexão compartilhada. Choosing Love fala de Marc Lloret, mas também de todas as pessoas que vivenciaram a perda e buscaram na arte, na memória ou nas palavras uma forma de continuar conectadas àqueles que já partiram.