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Exposicions

Valeria Maculan e o corpo à beira

Valeria Maculan e o corpo à beira
bonart burgos - 27/08/26

Valeria Maculan apresenta *A Fronteira Molhada *, um projeto que situa o corpo em um território de constante transformação. A artista argentina constrói uma instalação composta por figuras fragmentadas e suspensas que transforma o espaço expositivo em um palco aberto, onde a escultura abandona qualquer pretensão de estabilidade para se tornar uma estrutura móvel em contínua reorganização. A exposição pode ser visitada até 6 de setembro de 2026.

As peças articuladas e móveis ocupam um espaço deliberadamente ambíguo entre a escultura e o desenho expandido. Elas não funcionam como objetos isolados, mas sim como elementos de uma composição mutável, quase coreográfica. Cada fragmento estabelece relações variáveis com os demais e, por meio de sua posição, modifica a percepção do todo. O resultado é uma coreografia silenciosa na qual o vazio adquire tanta importância quanto a matéria.

O projeto é concebido como um teatro em miniatura contemporâneo, embora sem um enredo convencional ou narrativa fechada. Maculan constrói uma cena aberta onde as figuras não representam personagens específicos, mas permanecem em um estado de tensão, suspensão e possibilidade.

É precisamente nessa rejeição da representação que reside grande parte da força da proposta. O espectador não observa uma cena a uma distância segura: a instalação o inclui. Seu movimento altera as relações espaciais e transforma a experiência em algo necessariamente físico. A obra, portanto, não se limita a ocupar um espaço, mas propõe uma situação perceptiva.

Nos últimos anos, o trabalho de Maculan tem se concentrado na investigação da figura humana como um sistema em construção. Em contraste com a ideia do corpo como uma unidade reconhecível e fechada, a artista propõe uma anatomia instável, múltipla e fragmentada. Seus corpos parecem estar sempre em processo de montagem e desmontagem, como se sua identidade dependesse da relação entre as diferentes partes que os compõem.

"Trabalho com a figura como se fosse uma estrutura em construção", afirma o artista. A frase serve como uma declaração de princípios para The Wet Border : construir não significa alcançar uma forma definitiva, mas aceitar a transformação como condição de existência.

A fragmentação, portanto, não se apresenta como um sinal de perda, mas como uma forma de possibilidade. Os elementos corporais perdem sua função anatômica convencional para adquirir autonomia plástica. Suspensos e libertos de uma estrutura corporal completa, podem estabelecer novas relações, produzir equilíbrios inesperados e sugerir corpos que ainda não terminaram de se formar.

O título também aponta para esse território impreciso onde as formas não são fixas. A fronteira não separa necessariamente dois espaços; pode ser uma zona de contato, troca e transformação. O elemento "úmido" também introduz uma ideia de permeabilidade que contrasta com a rigidez tradicionalmente associada à escultura.

Nascida em Buenos Aires em 1968, Valeria Maculan vive e trabalha em Madri. Sua carreira tem sido marcada tanto pela criação artística quanto pelo desenvolvimento de espaços de intercâmbio e produção independente. Ela recebeu bolsas do Fundo Nacional das Artes e da Bolsa Kuitca, e participou de programas internacionais como a Escola de Arte de Skowhegan e o Centro Atlântico de Artes.

Seu trabalho já foi exposto em instituições como o Matadero Madrid, o MACRO em Rosário e o Centro Cultural Rojas. Desde 2014, ela também dirige o ALIMENTACIÓN30, um espaço independente em Madri dedicado à criação contemporânea e à geração de contextos alternativos para a produção e circulação artística.

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