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O Museu de Arte Pereira enfrenta reconstrução após o terremoto na Colômbia.

Museo de Pereira.
O Museu de Arte Pereira enfrenta reconstrução após o terremoto na Colômbia.
bonart pereira - 17/08/26

O Museu de Arte Pereira iniciou o processo de avaliação e planejamento necessário para a reconstrução de seu edifício, que foi severamente danificado pelo terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia em 10 de agosto. A ala oeste do prédio foi a mais afetada, e o museu permanecerá fechado até que as obras necessárias para garantir sua recuperação e segurança sejam concluídas.

A situação do museu faz parte de um impacto muito mais amplo na infraestrutura cultural de Pereira e de outras partes do país. Rosa Ángel, artista de Pereira, ex-curadora do museu por uma década e Secretária de Cultura de Pereira entre 2017 e 2019, estima que entre 70 e 80 por cento da infraestrutura cultural da cidade possa ter sido afetada pelo terremoto.

Um dos principais desafios é também garantir a preservação do acervo do Museu de Arte de Pereira, que compreende aproximadamente 530 obras. O inventário é particularmente complexo porque algumas peças fazem parte de conjuntos compostos por diferentes elementos. Entre os acervos da instituição encontram-se obras de Beatriz González e Óscar Muñoz, bem como aquela que é considerada uma das mais importantes coleções de obras da juventude de María de la Paz Jaramillo.

Atualmente, o museu concentra seus esforços em determinar a extensão total dos danos e estabelecer as condições para uma futura reabertura. Esse processo inclui negociações com seguradoras e arquitetos especializados, bem como o desenvolvimento de um plano de reconstrução para restaurar o edifício. A significativa dimensão financeira do projeto exige a mobilização de recursos públicos e privados.

  • Área de Pereira.

A situação de emergência também levou outras instituições culturais colombianas a ativar iniciativas de solidariedade. O Museu de Arte Moderna de Medellín (MAMM) realizou seu tradicional MAMM Fest entre os dias 14 e 16 de agosto, um evento anual de arrecadação de fundos cuja renda incluía o apoio ao Museu La Tertulia, em Cali. Embora este último não tenha sofrido danos físicos, as atividades da instituição foram afetadas pela interrupção da receita decorrente da emergência.

O diretor do MAMM, Rafael Tamayo, enfatizou a importância de manter uma rede ativa de instituições culturais durante o processo de recuperação. A colaboração entre museus visa ajudá-los a dar continuidade aos seus programas e a trabalhar com as comunidades, ao mesmo tempo que abordam as consequências econômicas e sociais do desastre.

Uma primeira avaliação do patrimônio cultural

O terremoto também causou danos significativos ao patrimônio cultural da Colômbia. O Ministério da Cultura elaborou um inventário inicial dos Sítios do Patrimônio Cultural Nacional afetados pelo terremoto, identificando 40 propriedades em Chocó, Caldas, Risaralda, Quindío e Valle del Cauca, além dos danos relatados em Antioquia e Cauca.

  • Área de Pereira.

Do total de propriedades contabilizadas, 22 apresentam alto nível de danos, 13 nível médio e cinco nível baixo. Essa avaliação, ainda provisória, permitirá o estabelecimento de prioridades para futuros esforços de conservação e reconstrução.

Entre as áreas mais afetadas está a Paisagem Cultural do Café da Colômbia, reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO e Patrimônio Cultural Nacional. O terremoto causou graves danos em diversos centros urbanos, além de afetar casas, estradas e serviços básicos em áreas rurais. Os municípios mais próximos do epicentro sofreram danos particularmente significativos.

  • Centro histórico de Jardín, Antioquia.

O terremoto também afetou 12 centros históricos, incluindo diversos setores de Manizales e as cidades antigas de Buga, Cali, Cartago e El Cerrito, na região do Valle del Cauca. Os edifícios com arquitetura da época republicana em algumas dessas áreas fazem parte de um patrimônio particularmente vulnerável à magnitude dos danos.

A Ministra da Cultura, Paola Holguín, indicou que o governo está trabalhando na definição de uma metodologia para lidar com o reparo e a reconstrução das áreas afetadas. Esse processo é apresentado como uma segunda fase da resposta emergencial, na qual a recuperação do patrimônio cultural deve prosseguir em paralelo à reconstrução das cidades e comunidades afetadas.

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