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Exposicions

Luis Gabú retrata a memória silenciosa de Havana através da ausência.

Cine Mégano (2019) Luis Gabú.
Luis Gabú retrata a memória silenciosa de Havana através da ausência.

O Museu de Belas Artes de A Coruña apresenta, de 15 de maio a 31 de outubro de 2026, Habana Mater. 2003-2023 , uma exposição que reúne o projeto fotográfico desenvolvido pelo artista coruño Luis Gabú durante suas contínuas viagens a Cuba ao longo de duas décadas.

A exposição reúne 50 fotografias nas quais Gabú constrói uma visão pessoal de Havana e, em especial, do centro histórico galego da cidade. Suas imagens exploram a relação entre arquitetura, memória e a passagem do tempo, posicionando o silêncio como elemento central de uma narrativa visual onde a ausência se torna protagonista.

  • Portal na solidão (2017) Luis Gabú.

Durante suas estadias em Cuba, o artista documentou em diferentes momentos a evolução do Centro Galego de Havana, um edifício emblemático erguido graças às contribuições dos membros da diáspora galega e que foi a sede dessa instituição desde 1914. Através de sua câmera, Gabú registra as transformações arquitetônicas do edifício, seus espaços e sua aparência antes e depois da restauração realizada entre 2013 e 2015.

As fotografias também capturam detalhes que mantêm viva a ligação entre a Galiza e Cuba, como o brasão de armas de A Coruña, que ainda hoje se encontra exposto numa das fachadas do edifício. Estes elementos servem como vestígios de uma história partilhada, marcada pela emigração, pela identidade e pelos laços culturais entre ambos os lados do Atlântico.

Influenciado pela atmosfera emocional e contemplativa das pinturas de Edward Hopper, Luis Gabú apresenta uma Havana bem distante das grandes narrativas urbanas e das representações turísticas. Suas imagens mostram uma cidade praticamente vazia, capturada à noite, onde a luz e a arquitetura adquirem uma dimensão poética.

  • Rua Neptune 673 Âmbar (2017) Luis Gabú.

Nessa visão noturna, os edifícios se tornam testemunhas silenciosas de uma era passada, quando Havana era uma capital ligada ao progresso, à modernidade e ao intercâmbio cultural. A ausência de pessoas não implica vazio, mas sim memória: cada espaço preserva os vestígios daqueles que o ocuparam e as histórias que ali se desenrolaram.

O título da exposição, Habana Mater , destaca o papel fundamental que a cidade cubana desempenhou na formação da identidade galega durante a diáspora. Havana não foi apenas um destino econômico para milhares de emigrantes, mas também um lugar de criação coletiva onde floresceram projetos sociais, culturais e intelectuais ligados à Galiza.

  • Rua Netuno 673 Gelida (2019) Luis Gabú.

Durante as primeiras décadas do século XX, a capital cubana tornou-se um verdadeiro ponto focal para a comunidade galega no exterior. A inauguração do Palácio do Centro Galego, em 1915, consolidou essa instituição como um dos grandes símbolos de uma Havana moderna, transformada em um importante polo intelectual, econômico e cultural da Galiza transatlântica.

A carreira de Luis Gabú é marcada por uma busca constante por lugares onde a memória permanece oculta. Nascido em A Coruña, o artista desenvolve, desde 1988, um conjunto de obras ligado a viagens e à exploração de territórios na África, Ásia, América e Europa. Suas experiências nesses lugares definiram uma produção artística focada em capturar a essência mais íntima dos espaços, tanto na fotografia quanto na pintura, incluindo também períodos mais abstratos.

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