O Museu de Belas Artes de A Coruña apresenta, de 15 de maio a 31 de outubro de 2026, Habana Mater. 2003-2023 , uma exposição que reúne o projeto fotográfico desenvolvido pelo artista coruño Luis Gabú durante suas contínuas viagens a Cuba ao longo de duas décadas.
A exposição reúne 50 fotografias nas quais Gabú constrói uma visão pessoal de Havana e, em especial, do centro histórico galego da cidade. Suas imagens exploram a relação entre arquitetura, memória e a passagem do tempo, posicionando o silêncio como elemento central de uma narrativa visual onde a ausência se torna protagonista.

Portal na solidão (2017) Luis Gabú.
Durante suas estadias em Cuba, o artista documentou em diferentes momentos a evolução do Centro Galego de Havana, um edifício emblemático erguido graças às contribuições dos membros da diáspora galega e que foi a sede dessa instituição desde 1914. Através de sua câmera, Gabú registra as transformações arquitetônicas do edifício, seus espaços e sua aparência antes e depois da restauração realizada entre 2013 e 2015.
As fotografias também capturam detalhes que mantêm viva a ligação entre a Galiza e Cuba, como o brasão de armas de A Coruña, que ainda hoje se encontra exposto numa das fachadas do edifício. Estes elementos servem como vestígios de uma história partilhada, marcada pela emigração, pela identidade e pelos laços culturais entre ambos os lados do Atlântico.
Influenciado pela atmosfera emocional e contemplativa das pinturas de Edward Hopper, Luis Gabú apresenta uma Havana bem distante das grandes narrativas urbanas e das representações turísticas. Suas imagens mostram uma cidade praticamente vazia, capturada à noite, onde a luz e a arquitetura adquirem uma dimensão poética.

Rua Neptune 673 Âmbar (2017) Luis Gabú.
Nessa visão noturna, os edifícios se tornam testemunhas silenciosas de uma era passada, quando Havana era uma capital ligada ao progresso, à modernidade e ao intercâmbio cultural. A ausência de pessoas não implica vazio, mas sim memória: cada espaço preserva os vestígios daqueles que o ocuparam e as histórias que ali se desenrolaram.
O título da exposição, Habana Mater , destaca o papel fundamental que a cidade cubana desempenhou na formação da identidade galega durante a diáspora. Havana não foi apenas um destino econômico para milhares de emigrantes, mas também um lugar de criação coletiva onde floresceram projetos sociais, culturais e intelectuais ligados à Galiza.

Rua Netuno 673 Gelida (2019) Luis Gabú.
Durante as primeiras décadas do século XX, a capital cubana tornou-se um verdadeiro ponto focal para a comunidade galega no exterior. A inauguração do Palácio do Centro Galego, em 1915, consolidou essa instituição como um dos grandes símbolos de uma Havana moderna, transformada em um importante polo intelectual, econômico e cultural da Galiza transatlântica.
A carreira de Luis Gabú é marcada por uma busca constante por lugares onde a memória permanece oculta. Nascido em A Coruña, o artista desenvolve, desde 1988, um conjunto de obras ligado a viagens e à exploração de territórios na África, Ásia, América e Europa. Suas experiências nesses lugares definiram uma produção artística focada em capturar a essência mais íntima dos espaços, tanto na fotografia quanto na pintura, incluindo também períodos mais abstratos.