Olot prepara-se para vivenciar uma das edições mais significativas do seu projeto cultural internacional com o regresso do Workshop de Verão RCR e do Programa Obert 2026. Entre 26 de junho e 11 de julho, a cidade transforma-se num espaço de investigação, formação e criação que liga La Garrotxa aos principais debates globais sobre arquitetura, paisagem e cultura contemporânea, num contexto excecional marcado pela Capital Mundial da Arquitetura de Barcelona, pelo Congresso Mundial da UIA e pela comemoração do Ano Gaudí.
Promovidos pela Fundação RCR Bunka e pelo RCR Lab·A, os programas consolidam uma trajetória iniciada em 2008 e reforçam o papel do Olot como plataforma internacional para experimentação interdisciplinar. A edição de 2026 reúne participantes de 26 nacionalidades e se compromete com uma visão global do espaço, entendido não apenas como uma realidade física, mas também como uma experiência sensível, cultural e emocional.
O espaço como experiência: uma nova sensibilidade arquitetônica
Sob o lema “A Experiência do Espaço”, as oficinas deste ano exploram a dimensão perceptiva da arquitetura. Dando continuidade à linha conceitual de “Atmosferas”, o programa propõe a compreensão do espaço como um fenômeno vivo, capaz de gerar memória, emoção e novas formas de habitar.
Esta reflexão se desdobra em três eixos: o Workshop Internacional de Arquitetura e Paisagem, o Workshop Internacional de Fotografia e o Programa de Conferências Abertas. Juntos, eles formam um ecossistema de formação que combina pesquisa, prática e divulgação.
Um campus internacional em Garrotxa
O Workshop de Verão de 2026 reunirá cerca de uma centena de estudantes e profissionais de todo o mundo. Esta edição destaca-se pela sua diversidade geográfica, com uma forte presença da América Latina, Europa e Ásia, consolidando o programa como um ponto de encontro global para as novas gerações de arquitetos e criadores.
A oficina, conduzida por arquitetos da RCR Arquitectes, propõe um exercício rigoroso que simula um concurso profissional e é desenvolvido através de trabalho de campo em Olot e Santa Pau. Os participantes exploram a relação entre a cidade e a paisagem vulcânica, com projetos ligados à regeneração urbana e à reinterpretação do património.
Um dos destaques é a intervenção nas ruas da cidade velha de Olot, bem como uma nova linha de trabalho no Castelo de Santa Pau, concebida como um exercício de longo prazo para repensar o patrimônio como um espaço vivo aberto a novos usos.
Fotografia, arquitetura e perspectiva contemporânea
Simultaneamente, o Workshop Internacional de Fotografia, dirigido por Hisao Suzuki, propõe uma exploração do espaço através da imagem. O workshop aprofunda a capacidade da fotografia de capturar atmosferas, tensões e relações invisíveis entre a arquitetura e seu entorno.
Os participantes trabalharão em projetos ligados à obra do RCR, incluindo espaços como Tossols-Basil ou os Pavellons de Les Cols, ampliando a reflexão sobre como a percepção arquitetônica é construída na era contemporânea.
Conferências e pensamento aberto
O Programa Aberto 2026 desdobra um ciclo de conferências gratuitas que conectam diversas disciplinas e idiomas. Figuras como Junya Ishigami e Enric Palau apresentarão visões que vão desde a dissolução das fronteiras entre natureza e arquitetura até as relações entre som e espaço.
Uma sessão particularmente marcante reunirá vinte ex-membros do estúdio RCR em um formato PechaKucha, que exibirá a projeção internacional do trabalho de sua escola.
O ciclo audiovisual Matèria Bosc também está sendo consolidado, investigando a relação entre paisagem, arte e consciência ecológica por meio de criações audiovisuais contemporâneas.
Um encontro excepcional na Sagrada Família
Um dos momentos mais importantes do ano acontecerá em Barcelona, com uma conferência na Sagrada Família que reunirá quatro vencedores do Prêmio Pritzker: Kazuyo Sejima e os três membros do escritório RCR Arquitectes. O evento, inserido no Ano Gaudí, propõe um diálogo entre patrimônio e contemporaneidade em um dos cenários arquitetônicos mais simbólicos do mundo.
Olot como um território do futuro
Com esta nova edição, o Olot reforça sua posição como um espaço de produção cultural e reflexão arquitetônica internacional. Além da formação, as oficinas se consolidam como uma plataforma de pesquisa sobre como habitamos o mundo e como a arquitetura pode contribuir para repensar a relação entre pessoas, território e memória.
Num ano crucial para a arquitetura catalã, La Garrotxa torna-se, assim, um lugar onde o pensamento é construído coletivamente, entre a paisagem vulcânica e as ideias que projetam o futuro das cidades.