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Exposicions

A nuvem negra como coreografia da multiplicidade na obra de Carlos Amorales

Uma instalação imersiva de borboletas de papel que transforma a arquitetura em uma paisagem viva entre a ordem e o caos.

Carlos Amorales. Nube negra. Fundación Casa de México en Madrid.
A nuvem negra como coreografia da multiplicidade na obra de Carlos Amorales
bonart madrid - 03/06/26

Na Fundação Casa de México, na Espanha, a instalação Nuvem Negra, do artista mexicano Carlos Amorales, está em exibição até 13 de setembro, sendo considerada uma de suas obras mais marcantes e reconhecidas na arte contemporânea internacional. A peça transforma o espaço expositivo em um ambiente imersivo, onde a percepção do visitante é completamente alterada pela acumulação, repetição e sugestão de movimento constante.

A instalação é composta por dezenas de milhares de borboletas e mariposas recortadas em papel preto — aproximadamente 25.000 a 30.000 peças — pertencentes a cerca de 300 espécies diferentes. Cada elemento foi produzido e colocado manualmente com precisão, cobrindo paredes, tetos e cantos para criar uma sensação de expansão orgânica, como se o próprio edifício tivesse sido invadido por um fenômeno natural em plena floração.

O resultado é uma experiência visual que oscila entre o hipnótico e o perturbador. Embora a composição evoque a ideia de uma praga em movimento, sua disposição segue um sistema cuidadosamente estruturado, baseado em linhas que se expandem e se multiplicam. Essa tensão entre o caótico e o controlado é um dos conceitos centrais da obra.

Apresentada pela primeira vez em 2007 e exibida desde então em diversas instituições internacionais, Black Cloud tornou-se uma obra fundamental na carreira do artista. Sua escala variável — que pode chegar a 30.000 figuras individuais — reforça a ideia de coletividade e acumulação como linguagem visual, onde a repetição se transforma em forma de narrativa.

Carlos Amorales é conhecido por desenvolver uma linguagem visual baseada em sistemas de signos, silhuetas e padrões que se repetem e se transformam. Sua prática abrange disciplinas como animação, desenho, colagem, instalação e performance, articuladas por meio de seus próprios arquivos visuais — como seu “arquivo líquido” — que ele reorganiza constantemente.

Esse método permite que ele questione noções fundamentais como identidade, autoria e a estabilidade da imagem. Seu trabalho também explora recorrentemente temas como violência simbólica, caos e a construção cultural do significado, sempre sob uma tensão entre rigor conceitual e poder visual.

No caso de Black Cloud, essa pesquisa se traduz em uma experiência onde a beleza coexiste com o desconforto. As figuras, delicadas em sua individualidade, mas opressivas em conjunto, geram um efeito ambíguo que oscila entre sedução e repulsa. O espectador se depara, assim, com um espaço que não é apenas observado, mas habitado, e que convida a uma reconsideração de ideias preconcebidas sobre beleza, natureza e artifício.

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