O hall da Fundació Joan Miró acolhe, de 10 de fevereiro a 12 de julho, Gomis transatlàntic , uma proposta que coloca a figura de Joaquim Gomis no centro da narrativa expositiva. Fotógrafo essencial para a compreensão da renovação da linguagem visual moderna na Catalunha, Gomis construiu uma produção ampla, metódica e formalmente exigente. A sua câmara não só documentou a vida e a obra de Joan Miró, como também as suas paisagens marcantes e, de forma particularmente valiosa, os processos criativos que articularam o seu universo artístico.

© Herdeiros de Joaquim Gomis. Fundação Joan Miró, Barcelona, 2025.
A exposição dá continuidade a Retrats sentimentals de New York, de Joan Casellas, e agora propõe um deslocamento geográfico e simbólico: da Nova York evocada por Casellas para o sul dos Estados Unidos, por onde Gomis viajou entre 1922 e 1923. Esta nova seleção de imagens dialoga também com os últimos dias da exposição Miró and the United States, que pode ser visitada até 22 de fevereiro no mesmo centro, gerando assim um interessante jogo de espelhos entre contextos, influências e travessias atlânticas.
Com apenas vinte anos, o jovem Gomis foi enviado ao Texas — então o principal produtor de algodão do país — com o objetivo de aprender como funcionava a indústria algodoeira. Essa experiência formativa também se tornaria uma descoberta visual. As fotografias tiradas durante sua estadia mostram tanto a maquinaria do setor — plantações, infraestrutura, processos de produção — quanto cenas do cotidiano que revelam uma sociedade estruturada em torno do automóvel, da modernidade industrial e, de forma comovente, da segregação racial.

© Herdeiros de Joaquim Gomis. Fundação Joan Miró, Barcelona, 2025.
Estas imagens antecipam o olhar preciso e analítico que definiria a carreira posterior de Gomis. Sua capacidade de capturar tensões sociais, ritmos produtivos e gestos anônimos molda uma narrativa visual que transcende a anedota e se torna testemunha de uma época. Gomis transatlàntic não apenas recupera um episódio inicial de sua carreira, mas também o reivindica como peça fundamental para a compreensão da sensibilidade moderna que marcaria, anos mais tarde, sua estreita colaboração com a obra de Miró.