De 10 de janeiro a 24 de março de 2026, o Centro de Interpretação do Patrimônio Molí d'en Rata acolhe a exposição Corpos que Falam. Representações do Corpo em Autoras de Quadrinhos. 1910-2022. Edição fac-símile, uma viagem excepcional que abrange mais de um século de criação gráfica feminina. A exposição convida os visitantes a explorar como os corpos das mulheres foram utilizados como ferramenta narrativa, veículo de expressão e espaço de protesto no universo dos quadrinhos, desde as primeiras experiências do início do século XX até as vozes mais pungentes e contemporâneas. O Molí d'en Rata, em Ripollet, transforma-se, assim, num espaço onde a arte, a história e a cultura popular dialogam com o público através da linguagem visual das autoras que fizeram do corpo a sua voz e a sua narrativa.
Com curadoria de Marika Vila, especialista em estudos de gênero aplicados aos quadrinhos, a exposição reúne obras de quase quarenta autoras que refletem sobre como o corpo feminino tem sido objeto de controle, estereótipos e exploração comercial, ao mesmo tempo que reivindicam sua liberdade de expressão e empoderamento.

O percurso cronológico abrange a tímida presença das mulheres na imprensa republicana e no Noucentisme, com autoras como Lola Anglada e Laura Albéniz, que começam a ocupar um espaço num mundo predominantemente masculino, até aos anos de submissão e falsa liberdade protegida durante a Ditadura, onde a moda e os códigos visuais se tornam ferramentas subtis de resistência e expressão, com figuras como Maria Pascual e Pepita Pardell. Avançando no tempo, a exposição aborda a transgressão feminista dos anos 80 e 90, com Núria Pompeia, Montse Clavé e Isa Feu, que utilizam o humor e a crítica para questionar os papéis de género e quebrar estereótipos, e prossegue com a virada do olhar erótico, representado por Mariel Soria, Ana Miralles e a própria Marika Vila, que explora uma representação feminina plural e livre, subvertendo os discursos normativos estabelecidos.

Já no novo milênio, a exposição mostra o empoderamento de corpos plurais com autoras como Raquel Gu e Ana Penyas, onde os quadrinhos, mangás e redes sociais abrem novas possibilidades de expressão, e culmina com as vozes emergentes da cultura digital, com criadoras como Flavita Banana, Bárbara Alca e Sandra Uve, que se concentram na diversidade e na pluralidade por meio das novas tecnologias, encerrando o discurso na forma de "Vai continuar" e deixando a porta aberta para novas narrativas do corpo feminino nos quadrinhos.
Assim, "Bodies That Speak" se torna uma jornada através de mais de cem anos de criação gráfica que combina história, arte e ativismo, permitindo-nos ver como as mulheres vêm construindo sua voz em um meio que até então era marcado pelas limitações impostas pelo gênero.
