O Museu de Antioquia será um dos principais locais para a apresentação da terceira edição internacional da Bonart , que acontecerá no dia 22 de setembro em Medellín. A instituição, referência fundamental no cenário museológico colombiano, será representada no evento por María del Rosario Escobar P., diretora do museu, que apresentará um panorama de sua história, suas coleções e, principalmente, as transformações que levaram a instituição a repensar sua relação com a cidade e com as práticas artísticas contemporâneas.
Fundado em 1881, o Museu de Antioquia possui mais de 140 anos de história e ocupa, desde 2000, o antigo prédio da Prefeitura de Medellín, construído em 1936 pelo arquiteto Nel Rodríguez. A arquitetura do edifício é particularmente significativa para a compreensão do modelo museológico que se desenvolveu nas últimas décadas: suas quatro fachadas e mais de 80 portas permitem conceber a instituição não como um espaço fechado, mas como um edifício permanentemente conectado à cidade. O antigo prédio da Prefeitura também preserva os murais de Pedro Nel Gómez, que agora dialogam com algumas das principais obras do acervo.

Esse compromisso com a abertura encontra uma de suas principais expressões no projeto Museo 360°, iniciado há uma década. A proposta parte justamente da estrutura arquitetônica singular do edifício, projetando seu conteúdo para fora e estabelecendo novas relações com o centro de Medellín. A estratégia não se limita a levar o museu para a rua, mas busca engajar-se com as comunidades vizinhas por meio do potencial criativo da arte contemporânea. Dessa perspectiva surgiram programas como La Consentida , Las Vitrinas , La Esquina , Calle Museo e Diálogos con Sentido — iniciativas que ampliaram as formas de participação e interação entre a instituição, seu público e seu entorno.
O resultado dessa trajetória se cristaliza agora em Variações do Presente: O Arquivo do Comum e o Radicalismo na Compreensão do Existente , uma exposição de longa duração que sintetiza dez anos de pesquisa e experimentação em torno do Museu 360°. A proposta levanta uma questão fundamental: o que significa ser um museu em uma cidade que passa por transformações sociais, culturais e urbanas, e em que medida as práticas artísticas podem contribuir para a compreensão dessas transformações?
Nesta exploração, o presente não aparece como uma categoria separada do patrimônio. Pelo contrário, as práticas contemporâneas permeiam as diferentes áreas da instituição: a forma como as coleções são interpretadas, os mecanismos de mediação, as novas maneiras de colecionar arte e arquivos e, sobretudo, a relação cotidiana com o ambiente circundante. O museu, portanto, entende a arte contemporânea menos como uma sucessão de exposições temporárias do que como uma forma de gerar questionamentos sobre a realidade.

O acervo histórico continua sendo um dos pilares da instituição. Entre os destaques, estão as galerias dedicadas a Fernando Botero e Débora Arango, além de exposições permanentes sobre cerâmica, arte moderna e história da arte colombiana. O museu também abriga a maior coleção de pinturas, desenhos e esculturas de Fernando Botero, um legado intimamente ligado a Medellín e à própria história da instituição.
A ligação com Botero vai além dos muros do museu. Em frente ao museu fica a Plaza Botero, que abriga 23 esculturas monumentais doadas pelo artista a Medellín, criando um dos espaços públicos mais reconhecidos da cidade e um excelente exemplo da integração entre arte, espaço urbano e comunidade.
Além dessa dimensão, o museu realiza um importante trabalho documental e educativo. A Biblioteca do Museu de Antioquia, vinculada à instituição desde a sua fundação, abriga coleções especializadas em artes plásticas e visuais, enquanto o Centro de Documentação Fernando Botero reúne materiais relacionados à vida e à carreira do artista. A instituição também desenvolve programas de formação de público com o objetivo de ampliar o acesso às experiências artísticas e fomentar conexões entre o museu e diferentes setores da comunidade.