O pintor barcelonês Manel Anoro Llagostera faleceu aos 81 anos. A notícia chega enquanto o artista se preparava para inaugurar uma nova exposição na galeria de arte El Claustre, em Girona, onde suas obras ficarão em cartaz de 9 a 26 de setembro de 2026. A apresentação, prevista para esta semana, será realizada como uma homenagem à sua carreira, embora a galeria tenha decidido adiar o coquetel e a pintura que estavam planejados para a inauguração.
Ao longo de sua carreira, Anoro construiu um universo pictórico reconhecível, ligado a uma figuração de forte intensidade cromática e com clara influência fauvista. Paisagens, cenas urbanas, natureza e nus femininos ocuparam grande parte de sua produção, sempre através de uma pintura na qual a cor assumiu um papel de destaque. A luz e as atmosferas de suas viagens pelo Caribe deixaram uma marca particularmente visível em sua obra, com paisagens marinhas, tons quentes e um olhar que se distancia do realismo estritamente descritivo.
Mas sua imaginação também encontrou raízes na paisagem mais próxima. Girona, Cadaqués, Foixà, o Priorat e, sobretudo, Menorca tornaram-se cenários recorrentes em sua pintura. A ilha ocupou um lugar singular em sua carreira e também em sua vida, a ponto de ele ter instalado ali seu segundo ateliê. Por meio desses territórios, Anoro desenvolveu uma pintura interessada tanto no que ela representava quanto na capacidade da pincelada e da cor de transmitir determinada emoção.
Seu trabalho frequentemente partia de uma visão aparentemente simples da paisagem ou da figura humana, mas incorporava uma vontade expressiva que lhe permitia ir além da mera representação. A pincelada, o tratamento da luz e os contrastes cromáticos contribuíam para a construção de cenas em que a realidade se tornava o ponto de partida para a exploração de sensações e atmosferas.
A galeria El Claustre destaca precisamente essa capacidade de descoberta que caracterizou a pintura de Anoro. Em suas obras, explicam, sempre aparece "um canto da paisagem, um detalhe de uma figura que, sem sabermos exatamente porquê, chama a nossa atenção". Uma qualidade que, segundo a galeria, fazia de cada pintura "uma surpresa de emoções", capaz de desafiar o espectador desde o primeiro olhar.
A exposição agora apresentada por El Claustre adquire, após sua morte, uma dimensão inesperada. As obras que Anoro havia preparado para serem reunidas ao público em Girona podem ser vistas como uma abordagem final ao seu universo pictórico: um universo no qual paisagem, figura e luz coexistiam sob uma paleta intensa e um olhar profundamente pessoal.
A exposição permitirá, assim, recuperar uma trajetória construída ao longo de décadas em torno da ideia da pintura como uma experiência visual e emocional. Na obra de Manel Anoro, a cor não era apenas uma ferramenta descritiva, mas uma forma de abordar o mundo. Agora, esta exposição, concebida como um novo encontro com a sua pintura, transforma-se também numa despedida.