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Exposicions

O obelisco suspenso que dá as boas-vindas aos visitantes no Cairo.

Uma parada de verão no Grande Museu Egípcio para descobrir uma das peças mais singulares do museu, um monumento de 87 toneladas dedicado a Ramsés II.

O obelisco suspenso que dá as boas-vindas aos visitantes no Cairo.
bonart el cairo - 21/08/26

O verão também pode ser uma oportunidade para fazer uma pausa e admirar algumas das maiores obras da história. No Cairo, uma dessas paradas leva ao Grande Museu Egípcio (GEM), onde a visita começa com uma peça que anuncia imediatamente a escala monumental do museu: o Obelisco Suspenso de Ramsés II.

Localizado na grande praça de aproximadamente 30.000 metros quadrados que precede a entrada principal do museu, este monumento é um dos elementos arquitetônicos e arqueológicos mais singulares do complexo. Sua posição peculiar permite aos visitantes observar as inscrições esculpidas na base do obelisco por baixo, uma perspectiva que seria difícil de obter de um monumento colocado diretamente no solo.

A peça central desta estrutura é um antigo obelisco de granito associado ao faraó Ramsés II, um dos grandes governantes do antigo Egito. Com 16 metros de altura e pesando aproximadamente 87 toneladas, é o obelisco mais alto que já existiu em Tanis, a antiga cidade de San el-Hagar, localizada no delta oriental do Nilo, no que hoje é o Baixo Egito.

Ramsés II ergueu mais de uma dúzia de obeliscos em Tânis. Como era típico desses monumentos, seus quatro lados são cobertos por inscrições hieroglíficas que incluem diferentes nomes reais do faraó: seu nome de Hórus, seu nome de trono e seu nome de nascimento. Esses textos não apenas identificavam o soberano, mas também vinculavam sua figura às tradições religiosas e políticas do antigo Egito.

Uma peça antiga suspensa acima do visitante.

A singularidade do obelisco do GEM reside não apenas em sua antiguidade. Sua atual apresentação transforma completamente a relação entre o visitante e a peça arqueológica. O monumento está elevado sobre uma plataforma sustentada por quatro enormes pilares, instalados sobre uma grande base de concreto. Essa solução permite que os visitantes vejam os cartuchos de Ramsés II esculpidos na parte inferior do obelisco, uma área que normalmente ficaria oculta se a peça estivesse apoiada diretamente no solo.

Dessa forma, uma intervenção contemporânea revela um detalhe que permaneceu oculto por séculos. Os visitantes podem ficar sob o monumento e contemplar as inscrições de uma perspectiva completamente diferente, estabelecendo um diálogo entre a arquitetura atual do museu e a monumentalidade do Egito faraônico.

O Obelisco Suspenso ocupa uma posição estratégica no percurso exterior do Grande Museu Egípcio. Instalado na praça de entrada principal, serve como o primeiro artefato arqueológico a receber os visitantes do museu, funcionando como uma introdução à magnitude das coleções e à história milenar ali contida.

De Tanis ao museu do futuro

A trajetória do obelisco, desde a antiga paisagem de Tanis até o coração do Cairo moderno, resume, de certa forma, a vocação do Grande Museu Egípcio: conectar o legado arqueológico do país com uma arquitetura concebida para o presente e o futuro.

O resultado é uma obra em que passado e presente coexistem de forma particularmente visível. O granito trabalhado há milhares de anos, as inscrições de Ramsés II e a engenharia utilizada para erguer suas 87 toneladas fazem parte da mesma experiência.

Para quem visita o Cairo neste verão, parar diante do Obelisco Suspenso é muito mais do que simplesmente contemplar um artefato arqueológico. Ao entrar no museu, a experiência se depara com uma poderosa imagem da proeza arquitetônica do antigo Egito e com uma intervenção contemporânea que permite aos visitantes descobrir o monumento a partir de uma perspectiva única.

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