A historiadora de arte e curadora britânica Jessica Morgan foi nomeada a nova diretora da Tate, uma decisão que marca o retorno de uma figura intimamente ligada à instituição e abre um novo capítulo para um dos principais centros mundiais de arte moderna e contemporânea. Morgan assumirá oficialmente o cargo em 1º de janeiro de 2027, sucedendo Maria Balshaw, que deixou o cargo nesta primavera após nove anos à frente da Tate.
A nomeação ocorre em um momento particularmente significativo para a Tate, que enfrenta grandes desafios econômicos e organizacionais após os efeitos da pandemia, bem como a necessidade de aumentar o moral da equipe e consolidar a recuperação do número de visitantes em suas quatro unidades no Reino Unido.
Morgan dirige atualmente a Dia Art Foundation em Nova York, instituição à qual se juntou em 2015 e onde liderou uma profunda transformação. Sob sua liderança, a Dia fortaleceu seu programa de encomendas de arte, expandiu seu acervo e consolidou a gestão de importantes instalações permanentes nos Estados Unidos e na Alemanha, além de reforçar sua capacidade de arrecadação de fundos.

A nomeação de Morgan para a Tate também representa uma mudança financeira significativa. De acordo com os registros fiscais da Dia Art Foundation, Morgan recebeu um salário de aproximadamente US$ 814.000 (mais de £ 600.000) em 2025, bem acima do salário de Maria Balshaw na Tate, que variava entre £ 220.000 e £ 225.000 anualmente. O presidente da Tate, Roland Rudd, reconheceu que a nova diretora aceitará uma "redução salarial significativa" para assumir o cargo, garantindo que a instituição ofereceu a remuneração máxima possível dentro de suas limitações.
Rudd também destacou a capacidade de Morgan de liderar processos de transformação sem perder o apoio de suas equipes. "Ela é uma agente de mudança que sabe como envolver as pessoas", afirmou, enfatizando o trabalho que ela realizou na Dia ao longo da última década.
Morgan não é estranha à Tate. Entre 2002 e 2014, ocupou vários cargos de curadoria na instituição, atuando como Curadora de Arte Internacional de 2010 a 2014. Essa experiência, explicou ela, influenciou profundamente sua carreira profissional e seu trabalho subsequente nos Estados Unidos.
"É um imenso privilégio ter sido escolhida pelo conselho curador para liderar a Tate", disse ela após o anúncio da nomeação. A historiadora descreveu a instituição como "a principal referência mundial para a arte moderna e contemporânea internacional e para a arte britânica" e afirmou que encara esta nova fase com o objetivo de continuar a colocar "artistas e o público no centro" das atividades do museu.
Antes de ingressar na Tate, Morgan desenvolveu sua carreira em importantes instituições americanas. Foi curadora do Museu de Arte Contemporânea de Chicago e, posteriormente, curadora-chefe do Instituto de Arte Contemporânea de Boston. Sua formação acadêmica inclui bacharelado e mestrado em História da Arte pela Universidade de Cambridge, mestrado pelo Instituto Courtauld de Arte e bolsas de pesquisa no Centro de Arte Britânica de Yale e no Museu de Arte Fogg da Universidade de Harvard.
A sua chegada coincide com um período de transição para a Tate. Após vários anos marcados por reestruturações internas e tensões decorrentes da situação financeira, a instituição recuperou parte do seu ímpeto graças ao sucesso de exposições como a grande retrospectiva dedicada a Tracey Emin, a exposição de Frida Kahlo, que atingiu números recordes de visitantes, e a aclamada exposição de Ana Mendieta na Tate Modern.
Um dos primeiros grandes marcos do mandato de Jessica Morgan será a reabertura da Tate Liverpool, prevista para o final de 2027, um projeto que simbolizará o início de uma nova era para uma instituição que busca redefinir seu papel no cenário artístico internacional.