De junho a agosto de 2026, o Musée Angladon – Collection Jacques Doucet, em Avignon, dedica uma grande exposição a duas figuras essenciais em sua história: Jean Angladon e Paulette Martin. Intitulada " Uma parceria artística. Jean Angladon e Paulette Martin" , a exposição presta homenagem ao casal que deu origem ao museu e oferece uma imersão íntima em seu universo criativo e humano.
Jean Angladon e Paulette Martin eram muito mais do que um casal unido pela arte. Compartilhavam uma vida de ateliê, uma visão sensível da criação e uma cumplicidade artística incomum. Pintores e gravadores, desenvolveram um trabalho paralelo marcado pela escuta mútua, pelo diálogo constante e, por vezes, pela inspiração nos mesmos temas, sempre reinterpretados a partir de linguagens pessoais e sensibilidades singulares. Essa “companhia artística” é precisamente o fio condutor de uma exposição que, trinta anos após a inauguração do museu que leva seus nomes, os recoloca no centro da narrativa.
A exposição se passa no mesmo espaço onde eles viveram e criaram: um hôtel particulier na antiga Avignon, agora transformado em museu graças à vontade deles. Nesse ambiente, Jean Angladon e Paulette Martin viveram juntos, cercados pelos tesouros herdados de seu tio-avô Jacques Doucet, um grande costureiro da Belle Époque e mecenas da vanguarda. Sua coleção, excepcional tanto pela qualidade quanto pela sensibilidade com que foi reunida, inclui obras-primas de Sisley, Van Gogh, Modigliani, Cézanne, Degas, Manet, Picasso e outros nomes fundamentais da arte moderna.

Após a morte do casal, seu desejo era claro: transformar sua residência em um museu e abrir ao público tanto a coleção herdada quanto a memória de sua própria obra artística. Esse legado se materializa hoje no Musée Angladon, uma instituição singular no panorama cultural de Avignon, onde a coleção Jacques Doucet convive com a marca pessoal de seus herdeiros. A exposição atual resgata essa dupla dimensão — a de colecionadores e a de criadores — e apresenta cerca de 170 obras de Jean Angladon e Paulette Martin em um ambiente que evoca a atmosfera de seu ateliê e a intimidade de seu processo criativo.
A questão que paira sobre a exposição é tão simples quanto reveladora: quem foram, de fato, Jean Angladon e Paulette Martin? Frequentemente lembradas sobretudo por terem viabilizado a criação do museu, esta exposição resgata sua identidade como artistas. Ao mesmo tempo, destaca seu trabalho como herdeiras e transmissoras de um legado extraordinário, graças ao qual Avignon hoje conserva um conjunto de obras de referência internacional.
Esta homenagem surge num momento de renovado dinamismo para a instituição. Gilles Muller foi recentemente eleito presidente da Fundação Angladon-Dubrujeaud, sucedendo a Philippe Lechat. Provençal e avignonês por adoção, Muller expressou o seu desejo de ampliar a notoriedade do museu e fortalecer a sua projeção, tanto a nível nacional como internacional. A sua ambição é consolidar o Museu Angladon como uma "casa representativa do espírito de uma coleção e da arte de viver avignonesa", e torná-lo um ator central na atração cultural do território.
Este objetivo faz parte de uma linha de trabalho já iniciada por Philippe Lechat, que havia destacado a necessidade de um plano de ação e comunicação para garantir o futuro de uma instituição que vive exclusivamente de recursos próprios. A nova presidência pretende aprofundar essa estratégia e trabalhar em estreita colaboração com as equipes da fundação, representantes públicos e agentes culturais para fortalecer a reputação internacional do museu e, com ela, a marca Avignon.
O perfil de Gilles Muller parece estar em sintonia com essa nova etapa. Residente na Provença há quinze anos e em Avignon há sete, é formado em Ciências Políticas e desenvolveu sua carreira na área de federações profissionais ligadas à arte de viver. À frente de sua própria empresa de relações públicas, trabalhou com agentes criativos e instituições culturais, e promoveu iniciativas de projeção internacional, como as campanhas Paris, Capitale de la Création. Também presidiu a Associação Europeia de Museus e Indústrias e mantém um compromisso pessoal com diversas manifestações artísticas.
Nesse contexto, a exposição dedicada a Jean Angladon e Paulette Martin assume um valor simbólico especial. Não se trata apenas de uma retrospectiva do passado, mas também de uma afirmação do presente e do futuro do museu. Redescobrir seus fundadores é, ao mesmo tempo, reafirmar a singularidade de uma instituição nascida da paixão pela arte, da vontade de compartilhar um patrimônio e da estreita união entre vida e criação.