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Exposicions

Francesc Ruiz Abad: Cartografias da Identidade e do Território

A exposição Mata culmina uma residência artística marcada pelo diálogo entre espaços independentes e pela exploração crítica da paisagem contemporânea.

Francesc Ruiz Abad: Cartografias da Identidade e do Território
bonart são paulo - 23/06/26

O artista catalão Francesc Ruiz Abad apresentou a exposição Mata em São Paulo, resultado de uma residência artística no Projeto Fidalga, um dos principais espaços independentes do cenário cultural brasileiro. A exposição, que foi inaugurada em 18 de junho, simultaneamente a Pontos Cegos – Geografias para Habitar o Mundo , de Thereza Salazar, oferece uma nova oportunidade para explorar uma prática artística que coloca território, identidade e sistemas de representação no centro do pensamento contemporâneo.

Durante sua estadia, Ruiz Abad visitou a oficina de cerâmica Fonte, onde foi recebido pelo artista Ósi. Esse encontro simboliza a importância das redes de colaboração entre espaços culturais independentes no bairro, gerando uma teia de trocas que amplia as possibilidades de pesquisa e criação artística. A experiência foi possível graças à hospitalidade de Marcelo Amorim e do próprio Ósi, cuja colaboração enriqueceu o processo de residência.

A carreira de Francesc Ruiz Abad caracteriza-se por uma abordagem singular à arte contemporânea, na qual banda desenhada, desenho, instalação e pesquisa urbana convergem como ferramentas de análise social e cultural. O seu trabalho explora as relações entre identidade, cidade, sexualidade, cultura popular e a circulação de imagens, desenvolvendo aquilo que o próprio artista define como uma "história em banda desenhada expandida". Através desta metodologia, ele transfere a lógica narrativa das bandas desenhadas para o espaço expositivo, transformando arquivos, mapas, livrarias, bancas de jornais e sistemas de distribuição cultural em dispositivos capazes de revelar as dinâmicas de poder que moldam as nossas sociedades.

Em seus projetos, contextos urbanos específicos e as subculturas que os habitam ganham destaque. O interesse por culturas queer, arquivos visuais, colecionismo e formas de representação permeia uma produção artística que combina pesquisa rigorosa, experimentação formal, senso de humor e crítica social. Seu trabalho propõe novas maneiras de interpretar o espaço público e questiona os mecanismos pelos quais as identidades coletivas e individuais são construídas.

A exposição Mata insere-se nesta linha de investigação, estabelecendo um diálogo entre memória, território e experiência contemporânea. Juntamente com Pontos Cegos – Geografias para Habitar o Mundo, de Thereza Salazar, a exposição convida à reflexão sobre as formas de habitar o mundo e sobre as ligações visíveis e invisíveis que conectam as pessoas aos espaços que ocupam. As exposições permanecem abertas ao público com entrada gratuita até 10 de julho, consolidando ainda mais o compromisso do Projeto Fidalga com a promoção de práticas artísticas contemporâneas capazes de gerar intercâmbio, pensamento crítico e novas formas de encontro entre artistas, comunidades e territórios.

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