Exibida pela primeira vez em novembro de 1984 sob o título "Vítimas" no Centro de Leitura de Reus e quatorze anos depois no Museu de Montserrat, " Ubi Umbra, Ibi Lumen " (Onde há sombra, há luz) ressurge agora como um espaço para meditação, contemplação e espiritualização no Mosteiro de Bellpuig de les Avellanes.
Nesta nova exposição, que pode ser vista até 4 de abril, Domènec Corbella propõe um diálogo entre luz e pintura que revela, de forma intimamente interligada, os grandes estados existenciais da condição humana: vida, sacrifício, morte e ressurreição.
Por meio de um conjunto de onze pinturas sobre crucificações, acompanhadas de onze citações de filósofos, pintores e filólogos que, em seu embate, amplificam seu significado, Ubi Umbra, Ibi Lumen convida o espectador a mergulhar no que seria o ápice da carreira de Domènec Corbella.

A intensidade cromática e uma linha vibrante, com ressonâncias informalistas, constroem um espaço expressivo onde agonia e êxtase se confundem, e a dor coexiste com a transcendência. Nesse contexto, a verticalidade e a horizontalidade do corpo tornam-se metáforas para uma tensão persistente entre matéria e espírito. A série, nascida de uma experiência vital marcada pela intuição da perda, desdobra-se numa jornada que vai de corpos suspensos a figuras crucificadas, com uma gestualidade convulsiva que atravessa toda a obra.
Domènec Corbella estudou na Escola de Arte e Design de Llotja, em Barcelona, na Universidade Internacional de Arte de Florença e na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Barcelona, onde obteve seu doutorado e onde atualmente é professor emérito. Ele criou o Laboratório de Pintura Cognitiva; é pesquisador no Instituto de Pesquisa da Água e no Instituto de Arte, Design e Sociedade da Universidade do Porto.
A busca constante, profunda e espiritual do artista é evidente ao longo de uma carreira que evolui através de várias fases — existencialista, informalista, expressionista, mediterrânea, intimista, essencial, zen e taoísta.