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Exposicions

A infinita metamorfose da matéria em 'Estado de Cambio'

Bestué/Vives transformam a Fundação Apel·les Fenosa num cenário de reações em cadeia onde o espaço doméstico e a natureza dialogam num estilo de realismo mágico contemporâneo.

A infinita metamorfose da matéria em 'Estado de Cambio'
bonart el vendrell - 23/02/26

A exposição Estado de Cambio (11 de janeiro a 26 de abril de 2026) apresenta uma nova abordagem ao trabalho do coletivo formado por David Bestué e Marc Vives, figuras-chave da cena artística contemporânea espanhola. A obra, concebida como um vídeo de animação em stop-motion, desdobra um processo de transformação incessante no qual objetos, formas e materiais entram em uma reação em cadeia contínua. Essa mutação permanente torna-se uma metáfora para a instabilidade da matéria e a natureza efêmera de toda construção formal, eixos centrais na trajetória compartilhada de Bestué/Vives.

A obra estabelece um diálogo sutil — tanto visual quanto sonoro — com os espaços da Fundação Apel·les Fenosa, integrando-se à casa e ao jardim como se fossem uma extensão viva da peça. O interior e o exterior, o doméstico e o natural, são entrelaçados numa coreografia de detalhes que oscila entre o vintage e uma natureza submetida a processos de transformação conceitual. Elementos do cotidiano adquirem, assim, uma nova densidade simbólica, ativando um olhar atento sobre o entorno imediato.

Neste jogo de metamorfose, a obra evoca uma espécie de realismo mágico contemporâneo, onde a matéria parece possuída por uma vontade própria de mudar. Para além da experimentação formal, Estado de Cambio propõe uma reflexão sobre a forma como habitamos os espaços e sobre a capacidade da arte de revelar as tensões invisíveis que permeiam a nossa paisagem doméstica e natural. O resultado é uma experiência imersiva que convida o espectador a reconsiderar a relação entre permanência e transformação, entre memória e presente.

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