A Filmoteca da Catalunha apresenta um novo intervalo dedicado à experimentação cinematográfica com Cinebotànica , uma proposta criada por Cris Neira que pode ser apreciada até 19 de fevereiro. Longe das grandes produções e dos complexos dispositivos tecnológicos, Cinebotànica propõe-se como uma forma de fazer cinema que recupera a essência material do meio: um gesto simples, atento e meticuloso, ao alcance de qualquer pessoa disposta a dedicar tempo e atenção.

Essa prática parte de um princípio quase artesanal: intervir diretamente no celuloide com elementos vegetais – folhas, pétalas, caules, sementes – que, em contato com a película fotossensível, deixam rastros orgânicos e irrepetíveis. O resultado é um universo visual hipnótico onde as linhas, formas, cores e texturas da natureza se transformam em espetáculos vibrantes de macroperspectivas e microuniversos. A tela se torna, assim, um espaço de aparição e revelação, onde o mundo vegetal se apresenta com uma intensidade quase abstrata.
O programa inclui projeções florais e filmes de herbário que ocuparão a sala como se fosse um jardim expandido em movimento. O público não será apenas espectador, mas também parte ativa de um processo coletivo: a criação de um filme de 16 mm construído a partir de um fio condutor comum que mescla diferentes ferramentas, habilidades e sensibilidades. Sem câmera e sem autoria hierárquica, a proposta defende uma criação onde a própria natureza se torna coautora — ou mesmo única autora — das imagens.

Paralelamente às sessões participativas, será possível visitar uma instalação concebida por Cris Neira que reúne alguns de seus filmes de herbário. O espaço expositivo amplia a experiência da projeção e convida a observar de perto os fragmentos de celuloide, destacando sua dimensão tátil e material.