A Sala Parés dedica uma exposição retrospectiva a Miquel Vilà, oferecendo aos visitantes uma viagem que reivindica a pintura como linguagem poética e expressiva por excelência. Esta exposição destaca a força plástica da obra de Vilà para além de géneros, temas ou modos, convidando o público a entrar num universo visual onde a sensibilidade e a reflexão caminham juntas. As pinturas e gravuras em exposição exploram cuidadosamente o quotidiano do artista: interiores íntimos e detalhados que se combinam com amplos horizontes, muitas vezes carregados de símbolos pessoais que revelam a visão singular de mundo de Vilà.

Miquel Vilà, O Norte.
A exposição, que pode ser visitada até 11 de abril, oferece não apenas uma imersão na técnica e estética do artista, mas também convida o espectador a uma experiência contemplativa. A luz crepuscular que Vilà recria em suas pinturas acentua os contrastes, brincando com sombras e espessuras de materiais que conferem profundidade e volume. Essa maneira de tratar a luz e a textura dá à pintura um tom existencial e vibrante, conectando-se de forma sutil com a tradição da pintura metafísica italiana que o artista admira.

Miquel Vilà, Bombardeios.
Ao longo da visita guiada, percebe-se como cada obra reflete não apenas a mão do pintor, mas também um pensamento poético que transcende o suporte e a técnica. É um convite a saborear a pintura em sua forma mais pura, a se deixar levar pelo equilíbrio entre intimidade e universalidade, e a descobrir como o olhar de Vilà transforma o cotidiano em imagens repletas de poesia e significado. Uma exposição que confirma sua capacidade de fazer da pintura uma linguagem capaz de falar diretamente à alma do espectador.
“Vilà defende escrupulosamente o ofício e, acima de tudo, se coloca como defensor da pintura como linguagem. Para ele, a pintura é um refúgio do mundo hostil que o cerca, mas também a arma mais hábil e segura contra a adversidade. Suas composições são um cântico de resistência contra a agonia que, segundo Vilà, a pintura contemporânea sofre.” Sergio Fuentes Milà