Num campus onde o ritmo quotidiano tende a prevalecer sobre a contemplação, a Sala de Exposições da UAB continua a demonstrar ser um dos espaços mais estimulantes para descobrir projetos expositivos de qualidade. Localizada na Biblioteca de Comunicação e Arquivo de Jornais, em frente à Plaça Cívica, a sala consolidou uma linha de trabalho que alia rigor académico e sensibilidade curatorial. Um bom exemplo disso é a exposição Tool, Game, Travel , dedicada a Sergi Aguilar e com curadoria de alunos do Mestrado em Análise e Gestão do Património Artístico, que propõe uma nova leitura do universo criativo de um dos artistas fundamentais da escultura contemporânea catalã. A exposição pode ser visitada até 2 de setembro.
A exposição oferece uma abordagem instigante à obra de um dos criadores mais influentes da escultura catalã contemporânea das últimas décadas. Longe de propor uma retrospectiva convencional, o projeto constrói um percurso que nos permite mergulhar nos processos de trabalho, referências e preocupações conceituais que definiram a trajetória de Aguilar. A exposição pode ser visitada até 2 de setembro.
A visita guiada começa com um gesto tão simples quanto poderoso: um orifício através do qual o visitante observa o ateliê do artista. Essa primeira ação funciona como uma metáfora para todo o projeto da exposição. Mais do que mostrar o espaço físico da criação, ela convida a cruzar o limiar do olhar e penetrar naquele território onde as ideias ganham forma, onde os objetos se tornam pensamento e a matéria se transforma em linguagem.
A partir daqui, a exposição desdobra uma seleção de obras que atravessam diferentes registros da prática artística de Sergi Aguilar. Esculturas de pequeno formato, desenhos, pinturas e peças audiovisuais dialogam entre si para demonstrar uma produção coerente, marcada pela purificação formal e por uma constante investigação do espaço, do percurso, da paisagem e da percepção. Em Aguilar, a forma nunca é apenas forma: cada elemento se torna um convite a repensar a relação entre o corpo, o território e a experiência.
A visita culmina com To G. Anselmo , uma obra simbolicamente apresentada como uma ferramenta para habitar e interpretar o mundo. A peça sintetiza muitas das questões presentes ao longo da exposição: a ideia de deslocamento, a noção do objeto como instrumento de conhecimento e a capacidade da arte de gerar novas formas de percepção. Mais do que uma conclusão, funciona como uma abertura para novas perguntas.