Ao longo do século XX, o México não apenas transformou seu território por meio de rodovias, hotéis e infraestrutura turística, como também construiu uma poderosa imagem de si mesmo. Paisagens, monumentos, tradições e figuras circularam em pinturas, fotografias, pôsteres, revistas e cartões-postais, tornando-se símbolos reconhecíveis tanto dentro quanto fora de suas fronteiras. Essa história de representação e construção visual é o tema central de México: Rota e Destino , a nova exposição apresentada pelo Museu Nacional de Arte (MUNAL).
A exposição reúne cerca de 380 peças que traçam a participação de artistas, designers, fotógrafos e instituições na criação de um imaginário nacional ligado ao turismo, à cultura e à identidade mexicana. Mais do que um panorama histórico, a exposição propõe uma reflexão sobre os mecanismos pelos quais um país se torna uma imagem compartilhada.

Jorge González Camarena, El Perico, 1927, Museu Nacional de Arte, INBAL.
A jornada começa em um momento crucial da modernização do país: a construção da Rodovia Pan-Americana em 1936 e o desenvolvimento de novas rotas de comunicação que conectaram regiões antes distantes. Essa infraestrutura facilitou a movimentação de viajantes, mas também a circulação de imagens que disseminavam uma visão idealizada do território mexicano. Mapas, guias de viagem, revistas ilustradas e cartões-postais contribuíram para projetar o México como um destino atraente tanto para visitantes nacionais quanto internacionais.
A proposta curatorial está estruturada em torno de quatro seções temáticas. A primeira, Imaginários, examina as primeiras representações da paisagem, do patrimônio e da diversidade cultural do país. Rotas e Destinos aborda o crescimento do turismo e o desenvolvimento de roteiros que consolidaram certos lugares como marcos culturais. Em Corpos Turísticos, o foco recai sobre o vestuário, os costumes e a diversidade humana como emblemas da identidade nacional. Por fim, o Epílogo apresenta o Mapa de Produção da República Mexicana (rotas marítimas) de Miguel Covarrubias, obra que nos permite compreender o papel da indústria hoteleira na disseminação de uma imagem idílica e moderna do México.

VR Machado, Mapa de Acapulco para escapistas, 1957, Museu Nacional de Arte, INBAL.
A exposição estabelece um diálogo entre as disciplinas artísticas e os objetos da cultura visual moderna. Pintura, fotografia, cinema e design coexistem com cartazes, mapas, revistas ilustradas, guias turísticos e cartões-postais, bem como com peças de mobiliário e joias que demonstram a amplitude dos meios utilizados para moldar o imaginário popular.
Entre os artistas representados estão Angelina Beloff, Vita Castro, Cordelia Urueta, Diego Rivera, Miguel Covarrubias, Carlos Mérida, Gerardo Murillo “Dr. Atl”, Jorge González Camarena e Alfonso X. Peña, cujas obras nos permitem observar diferentes maneiras de interpretar e projetar a identidade mexicana.
Além de seu valor histórico, México: Rota e Destino levanta uma questão contemporânea: como essas imagens construídas ao longo do último século se relacionam com os desafios atuais da conservação do patrimônio, da sustentabilidade ambiental e da gestão do turismo de massa? A exposição nos convida a repensar a relação entre representação, memória e a indústria do turismo, lembrando-nos de que toda ideia de nacionalidade é também uma construção cultural.

Jorge González Camarena, Os Banhistas, 1957, Museu Nacional de Arte, INBAL.
A exposição permanecerá aberta até 14 de fevereiro de 2027 nas salas de exposições temporárias do térreo do Museu Nacional de Arte, oferecendo uma oportunidade para revisitar a história visual do México e compreender como a arte contribuiu para definir a imagem de um país que aprendeu a se observar e a se projetar para o mundo.