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Exposicions

Steve McCurry e o olhar que transforma o mundo em memória

O Palau Martorell acolhe a exposição ICONS, uma retrospectiva que abrange mais de cinquenta anos de fotografia humanista.

Steve McCurry, Peshawar, Pakistan, 1984 ©Steve McCurry All rights reserved.
Steve McCurry e o olhar que transforma o mundo em memória
bonart barcelona - 26/05/26

Os olhos da menina retratada por Steve McCurry continuam a atravessar o tempo com uma força quase inexplicável. Capturada em um campo de refugiados no Paquistão em 1984, a imagem combina a simplicidade do retrato documental com uma extraordinária intensidade emocional: o olhar direto, os tons terrosos, o véu vermelho desgastado e a luz natural constroem um ícone visual que transcende o fotojornalismo. Mais do que uma fotografia, é um símbolo universal da fragilidade humana diante da guerra e do deslocamento.

O Palau Martorell apresenta Steve McCurry, ICONS , uma grande retrospectiva dedicada ao fotojornalista Steve McCurry, em cartaz de 15 de maio a 6 de setembro. A exposição reúne mais de 150 fotografias distribuídas pelos três andares do espaço e oferece uma jornada íntima por mais de cinco décadas de carreira marcadas pela busca constante pela condição humana.

  • Steve McCurry, Beirute, Líbano, 1982 ©Steve McCurry. Todos os direitos reservados.

A exposição, construída sobre paredes verde-escuras e iluminação suave, cria uma atmosfera quase silenciosa que realça o poder narrativo de cada imagem. No universo de McCurry, a fotografia torna-se uma linguagem capaz de contar histórias sem a necessidade de palavras: um olhar, um gesto ou um instante congelado podem conter mais emoção do que qualquer texto escrito.

Entre as obras mais emblemáticas está o retrato de Sharbat Gula, conhecida mundialmente como “a menina afegã”. Capturada em um campo de refugiados em Peshawar, a fotografia tornou-se um símbolo universal de dignidade, resistência e fragilidade humana. Mas ICONS vai muito além dessa imagem icônica: a exposição desdobra cenas do cotidiano da Ásia, do Oriente Médio e da África, onde crianças, rostos anônimos e paisagens humanas constroem uma narrativa visual sobre sobrevivência, beleza e esperança.

O trabalho de McCurry caracteriza-se por um olhar profundamente empático. Suas fotografias não apenas documentam conflitos, pobreza ou deslocamento, mas também revelam emoções compartilhadas que transcendem qualquer fronteira cultural: infância, medo, curiosidade ou perda. O percurso da exposição articula-se, portanto, como uma geografia emocional onde cada retrato dialoga com o espectador e transforma experiências individuais em memória coletiva.

  • Steve McCurry, Srinagar, Caxemira, 1995 ©Steve McCurry. Todos os direitos reservados.

Ao longo de sua carreira, McCurry fotografou guerras, comunidades vulneráveis e cenários de crises internacionais, mas frequentemente o fez evitando a violência explícita. A exposição se compromete com a “narração por meio da sugestão”: as feridas nem sempre são visíveis, mas aparecem insinuadas em um olhar, no silêncio de um rosto ou na tensão de um gesto. Assim, imagens de crianças brincando com armas ou animais fugindo de desastres naturais evocam a presença latente do conflito sem cair no espetáculo da dor.

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